Coimbra  22 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Madalena Abreu

Voltar a pôr Coimbra no mapa

11 de Abril 2019

Professora no ISCAC e vereadora do PSD na CMC

Muitos de nós ouviram falar e alguns de nós estiveram lá presencialmente. Refiro-me a um fórum de discussão sobre o que queremos para este imenso projecto denominado Coimbra Capital Europeia da Cultura / 2027.
Pela organização desta candidatura foram convidadas diferentes personalidades, evento que aconteceu fisicamente no convento de S. Francisco de Assis. Ao longo desse dia de sábado, a 16 de Março, fomos surpreendidos por várias e diversas notas, sugestões e exemplos, sendo também avançadas, de forma clara e, por vezes, mesmo com incisivo semblante cinzento, preocupações que não podemos de classificar de ‘pequenas e insignificantes’.
E deixo aqui, em tom de ‘súmula pessoal’, umas quantas palavras que fui apontando naquele dia esperado e muito compensador: ‘Devemos incorporar as forças mais ocultas’, ‘a candidatura precisa de magia, “a comunicação é tão importante quanto o programa?”; ou, ainda, ‘é muito tempo comunicar até 2027?’ e “nós somos a nossa maior ameaça”.
Esse dia deixou-nos a pensar, e também com vontade ‘em arregaçar as mangas. Sim, mas, que também é sim, uma nota comum pareceu-me ser a interrogação sobre o que se quer, e se um desígnio claro e definido não deveria já estar pronto por esta altura.
No plano da normal organização de eventos, grande ou pequenos, locais, nacionais ou internacionais, uma estratégia já definida seria o expectável no momento presente. De qualquer forma, este evento foi e é uma oportunidade!
Portanto, podemos afirmar que este evento foi, de forma visível e audível, um exercício. Um exercício, uma discussão de ideias (ou brain storming, utilizando aqui a gíria mais corrente para este tipo de acções), uma prévia actividade ‘estratégica’ para decidir sobre o que fazer.
Quer isto dizer, em termos de exercício ou ferramenta de gestão, deveria ter acontecido num momento anterior. Nesta fase, e algumas das pessoas que subiram a palco neste dia também o afirmaram, seria mais sensato e eficaz um evento desta índole numa fase anterior da candidatura.
Mas aconteceu ‘agora’, e somos confrontados com este ‘agora’.
Sim, não há tempo a perder… é agora, é agora a altura de fazer vibrar a cidade… vamos provocar vozes e ouvir diferentes opiniões, discutir e seleccionar os percursos que se revelarem ser os mais potenciadores do crescimento inteligente e inclusivo da cidade.
E a palavra ‘inclusivo’ surge aqui propositadamente, não por ser palavra da moda, e ainda bem!
Mas pelo seu real conceito. O que quero dizer com inclusivo aqui?
A cidade tem (dizer ‘deve’ é muito pouco!) de voltar a abrir-se sobre múltiplas forças, sobre as diferentes artes e opiniões.
Abrir-se a partir do rio Mondego! Sim, a luz reflectida sobre estas águas é catalisadora da cidade aberta, e não fechada, não cheia de segredos e palavras ditas em surdina, e com folhas e cadernos acorrentados, fechados ‘às sete’ chaves nas gavetas.
O rio abre e faz irradiar uma luz radiosa e multiplicadora de cores e formas de olhar.
Sim, o rio tem de estar aberto à cidade… não pode ser fechado (seria criminoso, sob vários ângulos de visão)…, querendo dizer com isto que não poderemos construir nem de qualquer forma e feitio, e muito menos em altura, tapando o que se pretende que seja luz para propagar mais luz!
Não ‘podemos permitir que à beira-rio haja palco para algum tipo de apetite comercial e para construir vorazmente para facturar. Mas sobre este tema tema voltarei aqui, noutra altura.
Enfim, queria dizer: É agora!
Urge voltar a pôr Coimbra no mapa.