Coimbra  24 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

Veados e javalis prejudicam agricultores

16 de Janeiro 2019

Trata-se de um problema que não é novo, transversal a várias zonas do território nacional, sendo acentuado no caso da agricultura de subsistência, o da proliferação de veados e javalis.

Na agricultura de subsistência o mais pequeno estrago comporta uma importância acrescida relativamente ao que à perda de bens diz respeito.

Se, por um lado, há que defender, os animais, que, em tempos idos, perderam território e viram ser profundamente alterado o seu habitat natural, por outro lado, não podemos também negar o direito das pessoas à prática da lavoura, para o caso, a fim de consumo próprio, ocorrendo, assim, uma coexistência de difícil equilíbrio.

Assim sendo, a fórmula para resolver o problema não se apresenta fácil, pois, à semelhança do que acontece noutras zonas, concretamente em áreas protegidas, o Estado, através do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), assume o dever de ressarcir quem é prejudicado, obedecendo, obviamente, a um conjunto de regras.

Damos como exemplo o caso do “Lobo ibérico”, que causa danos nos territórios onde foram reintroduzidos.

Ao mesmo tempo, deve haver um acompanhamento mais apertado e próximo por parte das entidades competentes sobre esta questão, principalmente perante os picos de reprodução, em que, por vezes, certas espécies podem tornar-se verdadeiras “pragas”.

Obviamente que em todo o processo, em nosso entender, também as autarquias não podem ficar de fora, pois elas são, efectivamente, instrumentos de proximidade para com as populações.

Esta questão, que não é exclusiva de uma região apenas, tem sido particularmente evidente por “Terras de Sicó”, sendo que os últimos casos relatados possuem maior expressão em várias zonas do concelho de Penela.

Em suma, quando assistimos a um crescente abandono do Interior e dos territórios de baixa densidade populacional, achamos por bem que o assunto seja levado muito a sério de modo a encontrar uma forma justa de compensar quem já não tem muito.

Porque, sejamos claros: ninguém enriquece através da prática da agricultura de subsistência. E com tantos milhões desperdiçados em coisas não essenciais, por esse país fora, não nos parece que seja um grande peso orçamental ao nível das principais entidades responsáveis olhar para esta situação de forma diferente.

Parece-nos, pois, a esta distância, ser este o caminho mais equilibrado e sensato para manter a “paz” entre as partes.

Com o devido acompanhamento e atenção por parte do Estado e demais entidades, bem como um “plano de acção” objectivo, achamos ser possível mitigar esta questão.