Coimbra  20 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Sementes de cultura: Lendas – As bruxas de Antanhol

1 de Fevereiro 2019

Manuel Falcão Machado, na sua belíssima monografia sobre a freguesia de Antanhol, datada de 1954 deixou-nos um registo espantoso, de raiz etnográfica, sobre as bruxas de Antanhol ao afirmar:

«Quando em Coimbra, e arredores, chove e faz sol ao mesmo tempo, há o costume de se dizer: Estão a pentear-se as bruxas de Antanhol.

Tão clara afirmativa deve ter a sua origem no facto de na última metade do século XVI, ter vivido, no meio da mata de Milréus, proximidades desta freguesia, uma bruxa de afamado nome em feitiçarias e a casa da qual os jovens escolares da Universidade iam estudar a Cabala e a alquimia e onde, também, como mais tarde a Inquisição averiguou, se adorava o Diabo na figura de um mono preto, feito de pau de pinho…E tanto assim que a bruxa e os estudantes ali encontrados foram levados ao Tribunal do Santo Ofício que lhes mandou infligir, santamente, alguns dolorosos suplícios».

António Oliveira Bento, estudioso recente da freguesia de Antanhol, publicou em 2004 uma monografia exaustiva da freguesia onde actualizou os dizeres que o povo aprendeu a recitar sobre as bruxas, destacando esta bela quadra:

«Está a chover e a fazer sol

E as bruxas de Antanhol

A comer pão mole

Debaixo de um lençol».

(*) Historiador e investigador