Coimbra  24 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Portugal e a Europa – espaço de inovação

1 de Março 2019

A Europa é sem dúvida um espaço de inovação e a Europa 2020 é uma “Innovation Union” (União da Inovação).

Neste âmbito foi criado o “European Innovation Scoreboard”, que é um sistema europeu de informação para monitorizar, comparar e analisar a performance dos Estados-membros em matéria de inovação.

Portugal tem sido considerado “inovador moderado”, abaixo da média da União Europeia e perto da Espanha e da Itália. Continuo com a ideia que Portugal durante vários séculos foi talvez o país mais inovador do mundo…

E esta ideia parece estar cada vez mais aproximada da realidade. Na verdade, o European Innovation Scoreboard mostra-nos agora que estamos bem destacados nas economias europeias tidas como moderadamente inovadoras.

Ultrapassámos países que estavam à nossa frente, como os casos referidos da Espanha e da Itália. Ombreando com a República Checa, estamos já na “perseguição” de países com os quais temos todas as competências para competir, como sejam a Áustria, a Bélgica e a Irlanda. Não devemos perder de vista aqueles que são considerados os grandes campeões da inovação e que dominam todos os rankings nesta matéria, a Dinamarca, a Finlândia e a Suécia.

Quando se observa melhor a inovação em Portugal, percebe-se que estamos bem pontuados nas condições prévias, como a qualidade da investigação que é feita em Portugal e a grande competência dos recursos humanos.

No entanto, colocar novas ideias no mercado, é provavelmente o ponto fraco da nossa “cadeia de valor”. Ou seja, quando pretendemos transformar o conhecimento em novos produtos ou serviços, revelamos dificuldades. É justamente na “ida para o mercado” que terá que se apostar. É neste ponto que se pode fazer a diferença. Não só materializar, mas fazê-lo por forma a aumentar o número de exportações e mais importante, aumentar o valor das exportações, incorporando “mais valor” (inovação, qualidade, etc).

Não pretendo com este texto resolver uma questão tão complexa. Mas é possível deixar pistas para os empreendedores que partindo do conhecimento tenham o objectivo de “chegar ao mercado”.

Ambiente científico e tecnológico – Portugal produz conhecimento de excelência, emanado das universidades e dos centros de investigação. No entanto esta “investigação pura”, necessita de efectivamente passar a “investigação aplicada”. Ou seja, as empresas precisam de se aproximar das universidades e dos centros de investigação e vice-versa.

Financiamento – Portugal tem uma economia que não raras vezes tem dificuldade em aceder a financiamento. Nesse sentido, é importante esgotar todas as possibilidades de obtenção, seja no quadro comunitário de apoio, seja via capital de risco, seja via ‘business angels’, seja via banca. Na prática, tem de se procurar onde possa existir.

Plano de marketing – O marketing é cada vez mais uma ferramenta fundamental na cadeia de valor. Deve por isso ser considerado após a materialização da ideia e do conhecimento em produto ou serviço para potenciar o alcance do mercado e permitir a obtenção de sucesso na futura comercialização.

Temos todas as condições para evoluir e tornarmo-nos bem mais competitivos. Michael Porter referia Portugal como estando “entalado” entre os modelos dos salários baixos e da economia do conhecimento.

Como viver num país de salários baixos parece-me estar fora de questão, sobra-nos a eleição da inovação e do desenvolvimento. Esse é o caminho, de preferência feito por todos!

(*) Gestor e investigador