Coimbra  22 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Alírio

Parques de Ciência e Tecnologia – Spill-Overs*

25 de Janeiro 2019

A implementação de empresas, o consequente desenvolvimento económico local, regional e mesmo nacional e o papel que os Parques Científicos e Tecnológicos devem assumir é absolutamente essencial para toda a envolvente social e económica de uma região e de um país. Assumamos uma região como Coimbra a título de exemplo.

As regiões desenvolvidas assumem hoje que o conhecimento e o empreendedorismo são as grandes forças que induzem o crescimento económico e possibilitam que as empresas alcancem novos patamares tecnológicos e de inovação e fundamentalmente criem emprego em ambiente global.

Um Parque de Ciência e Tecnologia, também chamado de Tecnopolo, para além de congregar num mesmo lugar, diversas actividades de pesquisa e desenvolvimento em áreas de alta tecnologia (high tech), como sejam centros de pesquisa, institutos e empresas, facilita os contactos pessoais e institucionais entre esses actores, dando origem a uma economia de aglomeração do desenvolvimento tecnológico. Este efeito de cooperação possibilita o surgimento de novas ideias, inovações técnicas e processos inovadores. Os Tecnopolos acumulam normalmente uma elevada concentração de mão de obra muito qualificada bem como mercado de consumo. Estas estruturas no cerne da terceira revolução industrial são hoje aquilo que eram as grandes regiões industriais na primeira revolução industrial.

Assim, um Parque de Ciência e Tecnologia, tem de fazer a assumpção da dinâmica necessária para concretizar o papel dinamizador por excelência do surgimento de tecnologia incubada em novas empresas que possam efectivamente contribuir para o desenvolvimento económico e crescimento do emprego, resultado de uma maior interligação entre o conhecimento e as empresas.

Uma estrutura de cariz empreendedor e inovador, tem de assumir uma adaptação ao ambiente competitivo e às inúmeras e contínuas mudanças no conhecimento aplicado. Tem por isso a obrigação de implementar métodos conducentes ao melhor desenvolvimento e de forma mais inovadora, em cada uma das suas acções.

Tendo presente a IDI (Investigação, Desenvolvimento e Inovação), na cadeia de valor, devem identificar-se possibilidades que possam resultar em novos produtos e serviços, garante do bem estar das pessoas e melhoria da economia.

Os Tecnopolos transformam-se assim num modelo mas também numa estrutura cujo suporte tem como alcance o sucesso, o rigor, a excelência, assumindo o risco.

Só o surgimento de novas empresas permitirá acrescentar emprego, instrumento decisivo para influenciar de forma inegável todo o ecossistema económico. É desnecessário percorrer exemplos como sejam o “Sophia Antipolis” ou mesmo o famoso “Silicon Valley”.

Sabemos hoje, observando a geografia mundial e sob vários exemplos menos espectaculares, mas ao mesmo tempo bem sucedidos de criação de empresas, que o fomento de parques científicos e tecnológicos bem como de incubadoras de empresas mais ou menos sofisticadas são justamente bons exemplos para o desenvolvimento económico bem como no estímulo à promoção do empreendedorismo e da inovação.

Podem e devem os Parques de Ciência e Tecnologia ser autênticos Spill-Overs* do Empreendedorismo Local, Regional e Nacional.

* Termo utilizado pelos economistas para se referirem a criação e crescimento de conhecimento intensivo e a indústria baseada na inovação numa região, em torno de investigação aplicada na indústria.

(*) Gestor e investigador