Coimbra  24 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

O “pai” e a “mãe” do SNS

21 de Maio 2018

Acaba de falecer o que decidiram apelidar de “pai” do Serviço Nacional de Saúde, o dr. António Arnaut.

Este advogado da região de Penela, que estudou em Coimbra e montou escritório de advocacia na cidade, teceu as normas que formataram esse desígnio nacional para que todos, tendo por base a Constituição Portuguesa, tenhamos apoio na saúde e, a mesma, seja considerada – tendencialmente – gratuita.

Mas a actuação de “mãe” do SNS, e perdoem-me a palavra, coube ao Prof. Mário Mendes, irmão de Fernando Mendes Silva (que foi presidente da Câmara Municipal de Coimbra). Poucas vezes o têm citado como um membro desta causa social de Portugal.

Arnaut representa muito para o nosso Serviço Nacional de Saúde, mas Mário Mendes não lhe fica atrás. Mário Mendes moldou o que viria a ser o perfil do SNS. A. Arnaut deu-lhe a configuração legal, a que suportou o SNS no domínio da lei. Enquanto um pariu e foi seguindo o parto, o outro fez sair a criança, digamos assim.

Até porque, recordando, M. Mendes foi secretário de Estado do ministro dos Assuntos Sociais que era o amigo A. Arnaut.

Estou certo que, e pela sapiência e conhecimentos que Mário Mendes tinha, como médico, professor catedrático e ginecologista, o normativo do projecto para compilar a lei de bases do SNS, surgiu dele.

O primeiro ajustou as ideias que o segundo concebeu e as passou ao papel.

Para mim, M. Mendes soube tecer/traçar os contornos que, depois, A. Arnaut passou, em termos legislativos, para esse Acordo/Diploma.

Portanto, e se dizem que o “pai” do SNS foi Arnaut, para mim a “mãe” foi Mário Mendes.

Os dois pariram o que se pode classificar de uma das melhores leis e projectos que a democracia portuguesa nos ofereceu, como cidadãos e pessoas.

Devemos a António Arnaut e a Mário Mendes essa lucidez, essa visão, essa projecção e essa forma de termos – todos – direito à Saúde.

Foram revolucionários no sentido mais apropriado do termo. Foram artífices da modernidade na prestação de cuidados de saúde.

Os seus nomes ficam associados, perante a história, a uma das melhores e mais modernas mudanças nas nossas vidas, a dos portugueses.

Devemos-lhe muito.

A António Arnaut e a Mário Mendes que conheci, tendo lidado com o segundo vezes sem conta, por razões profissionais – até pertenceu comigo e outras pessoas, de que recordo o jornalista Cabral de Oliveira, a um júri de prémios de restauração, o que culminou num jantar em sua casa confeccionado pelo próprio – deixo a minha gratidão de português pelo que souberam fazer pela vida de todos nós.

Bem-hajam. Vocês foram o pai e a mãe do SNS.