Coimbra  22 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Zulmira Cândida

Casa dos Pobres: A sociedade civil e as obras solidárias

28 de Março 2019

Falar de uma instituição como a Casa dos Pobres é, para mim, um desafio e um privilégio.

Pois se encaramos a “pobreza” nas suas diversas vertentes, todos nós um dia o seremos, não é só a pobreza, referente a quem não tem recursos financeiros para as necessidades básicas, mas o “pobreza” da solidão de o estarmos sós, e isso é uma realidade e, esta Casa também é alguém que ouve, que trata, que anima aqueles que também estão “SÓS”, é o “servir” para aqueles que mais precisam de tudo e de todos nós!

Conhecer a obra da Casa dos Pobres de Coimbra é conhecermos o “bem”, a realidade diária – gesto nobre de quem diariamente dá de si, para o conforto do outro!

Foi para mim um desejo e uma concretização conhecer esta Obra, o desempenho de quem a dirige. O meu olhar na Casa dos Pobres, vai da realidade de quem está e de quem precisa todos os dias do seu apoio.

Caminhar pelos “caminhos” da solidariedade, solidariedade pode ou não ter rosto, isso já nem será relevante o que é preciso é que todos nós tentemos unir esforços e não deixar regredir ou mesmo morrerem estas instituições.

O percurso não é fácil, mas a força, a perseverança, a determinação, o desejo e o empenho podem mover se possível as “montanhas” por mais resistentes que sejam.

Já é longo o percurso da Casa dos Pobres em Coimbra, fundada em 1935, e que vem mais tarde, em 1988, adquirir o Estatuto de Utilidade Pública, IPSS, sem fins lucrativos, residência para pessoas “seniores”.

Espaço agradável e acolhedor, e com a vontade e dinamismo de muitos voluntários que diariamente nas suas diferentes áreas, levam a Casa dos Pobres de Coimbra a desenvolver projectos que sem esta ajuda de boa vontade de muitos voluntários seria impensável concretizá-los. Esta instituição acolhe pessoas de ambos os géneros, em situação de carência familiar e económica social.

Muitos cidadãos ajudam estas e outras instituições, mas o facto é que cada vez aparecem mais e mais pessoas a pedir ajuda.

Claro que o Estado devia responder aos mais necessitados da sociedade portuguesa, dever, devia, mas o certo é que não o faz, não consegue dar resposta a todos os casos e, isso todos nós temos conhecimento que não é isso o que acontece.

Longe já vai o ano de 1935 e longe, também, já vão as precárias instalações da Casa dos Pobres no Pátio da Inquisição. Desde 2011 que a Casa dos Pobres de Coimbra é um edifício moderno e funcional, num espaço em que “vive” com a natureza, alegre, para ainda dar resposta a todos os que se dirigem diariamente àquela instituição.

É necessário que todos nós construíssemos “pontes” e uníssemos esforços para contribuir para mais uma “vida” nova, com o início de outras valências, para além das que esta Casa já presta à sociedade, a fim de ajudar e satisfazer as necessidades dos que mais precisam. Mas para alcançar este desiderato são necessários mais recursos financeiros, para levar a um objectivo final… AJUDAR QUEM MAIS PRECISA!

Como cidadã e atenta a estes casos, o meu “singelo” apelo vai para que cada um de nós, pelo menos uma vez no ano, se desloque à Casa dos Pobres de Coimbra e observe com o seu olhar o que faz e para quem o faz!