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UC: Fungos servem-se das aves para colonizar novos territórios

30 de Janeiro 2019

Ruben Heleno, Susana-Rodríguez Echeverría, Marta-Correia, Luís Pascoal da Silva e José-Miguel-Costa

 

Uma equipa de investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu que alguns tipos de fungos “apanham boleia” das aves para colonizar novos territórios.

O estudo pioneiro, agora publicado na revista “New Phytologist”, concluiu que “as aves não transportam apenas sementes de plantas para novos locais, mas também os fungos que estas sementes precisam para germinar e crescer”, explica Marta Correia, primeira autora do artigo científico.

De acordo com a investigação, 54 plantas de seis espécies diferentes germinaram de 34 excrementos de aves recolhidos numa floresta perto de Coimbra. “Algumas das raízes destas plantas foram imediatamente colonizadas por fungos ‘amigos’, provando que estes só podem ter sido transportados conjuntamente com as sementes no interior das aves”, assegura a UC.

Estes fungos, chamados ‘micorrízicos arbusculares’, formam relações estreitas com muitas plantas, colonizam a raiz e “contribuem para uma maior absorção de nutrientes e água para as plantas que conseguem ter um crescimento maior e serem mais saudáveis.

Em troca, a planta dá ao fungo uma “casa” e alimento fabricado na fotossíntese”, construindo assim uma relação simbiótica e tirando os dois intervenientes benefícios da situação.

“A comunidade científica acreditava há já algum tempo que partilhar o mesmo mecanismo de transporte daria às plantas que crescem em simbiose com estes fungos uma vantagem. Pela primeira vez, o papel das aves na dispersão de ambos os parceiros é confirmado”, sublinha a investigadora.

Os resultados desta investigação representam, segundo a especialista, “uma peça fundamental do puzzle para compreender a distribuição global de fungos micorrízicos e a colonização de territórios remotos, tal como ilhas, por plantas associadas a fungos. Como chegavam os fungos a estes territórios remotos era até agora desconhecido já que não seria possível a dispersão a tão longas distâncias só pelo vento”.

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo FEDER, no âmbito do programa Portugal 2020.

O artigo científico está disponível: aqui.

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