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Óbito / Arnaut: José Reis evoca “a voz que nos engrandeceu”

22 de Maio 2018

José Reis, ex-director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), evoca António Arnaut, falecido ontem, como portador da “voz que nos engrandeceu”.
“As palavras justas que era preciso dizer sobre António Arnaut já foram, felizmente, proferidas; mas acontece que vamos precisar muito delas, agora que o perdemos e ficámos colectivamente mais fracos”, declarou ao “Campeão” o professor universitário, ex-secretário de Estado do Ensino Superior, antigo autarca e outrora presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).
É da voz de Arnaut que o catedrático de Economia se lembra quando entende dever falar dele “num momento triste como este – da forma com a usou, como a elevou, como a emprestou a todos nós, como fez dela acção e justiça”.
“Lembro-me do orgulho de o ouvir, na Sala do Capelos da Universidade de Coimbra, como doutor “honoris causa” pela FEUC e agrada-me muito que, num acto de inteligência colectiva, isto tenha acontecido”, declarou José Reis ao “Campeão”.
Ao deliberar atribuir a António Arnaut o grau de doutor “honoris causa”, o Senado da Universidade de Coimbra entendeu louvar, sobretudo, a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A decisão de atribuir ao antigo ministro dos Assuntos Sociais aquele grau foi consensual, tendo entendido o Senado da UC que a institucionalização do SNS foi “um marco relevante da evolução social [em Portugal] e da organização colectiva nas últimas décadas”, assinalou o outrora director da FEUC.
A atribuição de tal título a António Arnaut visou reconhecer “um cidadão de Coimbra com presença muito significativa na vida pública nacional das últimas décadas e a sua acção política associada a uma das mais marcantes deliberações democráticas depois do 25 de Abril: o SNS”.
“Mais do que prestar-lhe reconhecimento, sei que o que quisemos foi poder ficar com a sua palavra, com o que ela representou como acção que nos engrandeceu a todos; é com tudo isto que nos cumpre seguir em frente para merecermos António Arnaut”, conclui José Reis.