Coimbra  21 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Laboratório da FCTUC é o primeiro da Península Ibérica com acreditação

21 de Janeiro 2019

O Laboratório de Radioactividade Natural (LRN) do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) acaba de receber acreditação da norma ISO 17025 (para padronização de ensaios e calibração a nível internacional).

Este Laboratório é, assim, o primeiro da Península Ibérica a conseguir esta acreditação, que avalia “todos os parâmetros radiológicos, permitindo responder à globalidade das exigências impostas pela União Europeia relativas à protecção contra os perigos da exposição a substâncias radioactivas naturais”, revela a Universidade de Coimbra (UC).

O selo de qualidade foi atribuído pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC), o organismo de acreditação em Portugal, e resulta de um complexo e exigente processo que durou mais de dois anos.

“Foi um percurso longo, com um grau de exigência muito elevado, mas esta certificação é o reconhecimento do LRN como centro de referência nacional e internacional, que cumpre um rigoroso sistema de qualidade e de boas práticas. Isto significa a chancela de confiança máxima para as instituições que procurem os nossos serviços”, afirma Alcides Pereira, director do Laboratório de Radioactividade Natural.

Com esta acreditação, Portugal deixa de ter de recorrer a laboratórios estrangeiros para a realização de alguns ensaios, já que “o Laboratório da FCTUC está agora habilitado a dar resposta a todos os parâmetros radiológicos que estão contemplados na legislação mais recente (directivas comunitárias) sobre a radioactividade natural”, salienta a Universidade, adiantando que este é mesmo pioneiro na Península Ibérica, o único “a conseguir acreditação para a globalidade dos parâmetros impostos pela União Europeia”, esclarece o também professor catedrático Alcides Pereira.

O selo de qualidade atesta, também, a possibilidade de criação de um polo de excelência na área da Radioactividade Natural – radioactividade que está presente no ambiente e que tem origem em elementos naturais (água, ar, materiais de construção, etc.) – “por forma a contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico de práticas sustentáveis que protejam a saúde das populações”, adianta.

Assim, e segundo defende o responsável, é necessária a “elaboração de um mapa de risco que identifique as zonas mais problemáticas do país no que respeita à exposição do ser humano a radiações ionizantes de origem natural”.

“Estamos continuamente expostos a diferentes fontes de radiação natural, sendo por isso necessário perceber quais os locais mais problemáticos no território português e propor medidas que protejam as populações e que permitam mitigar os impactos dessa exposição”, admitindo que existem alguns estudos, “mas são pontuais”. A região Centro, por exemplo, sabe-se que é a “zona do país mais afectada pelos problemas associados à exposição de radiações ionizantes de origem natural, importa perceber e controlar o nível de exposição”, observa.

Luís Neves, director da Faculdade de Ciências e Tecnologia, salienta tratar-se do “primeiro laboratório da instituição a obter acreditação, o que constitui incentivo a que outras áreas científicas possam evoluir no mesmo sentido”.

O Laboratório de Radioactividade Natural da FCTUC, criado em 1999, está actualmente envolvido num trabalho de remediação ambiental de minas de urânio pioneiro a nível mundial, centrado na recuperação das habitações dos antigos mineiros da Urgeiriça, bem como um estudo relativo à qualidade radiológica das águas de consumo do país.