Coimbra  18 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Estado concede um milhão para destruição de ninhos da vespa asiática

5 de Fevereiro 2019

A vespa asiática (ou velutina), apelidada de “vespa assassina”, tem gerado grande preocupação entre apicultores, agricultores, sociedade civil e entidades competentes. Uma praga que o Governo quer destruir, disponibilizando um milhão de euros numa campanha nacional.

A informação foi publicada em Diário da República, na passada sexta-feira (01), e revela que a campanha nacional para destruição dos ninhos da vespa asiática ficará a cargo dos municípios.

Segundo o despacho assinado pelo secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel João de Freitas, “o apoio será concedido durante 2019 aos municípios, em regime forfetário (compensação em sede de imposto de IVA aos agricultores), sob a forma de subsídio não reembolsável”, revela a agência Lusa.

O valor do apoio financeiro a atribuir por candidatura é de 10 000 euros, podendo ocorrer uma actualização do valor do apoio por motivo de “deficiente previsão ou aumento inesperado de ocorrências”, desde que exista disponibilidade de verba para o efeito, refere o documento.

De acordo com a portaria, o valor do apoio financeiro a atribuir é de 25 euros/ninho primário e de 100 euros/ninho definitivo/secundário, nos termos a definir no anúncio de abertura do procedimento concursal.

A presença da vespa velutina tem vindo a aumentar no território nacional ao longo dos anos, afectando diversos sectores, em particular o da apicultura, mas também o agrícola e o florestal, nomeadamente pela diminuição da quantidade de insectos polinizadores e óbvios efeitos que podem vir a causar a sustentabilidade dos respectivos ecossistemas, refere o despacho.

Considerando que a vespa asiática é um “importante predador de abelhas e de outros insectos polinizadores, a mesma configura-se como uma ameaça ao cumprimento, pelos espaços florestais, da imprescindível função ecológica que é a polinização”.

Desta forma, o Governo considera que existe “neste momento uma necessidade de intervenção urgente”, obrigando a que seja encontrada uma solução financeira para apoiar a destruição dos ninhos de Vespa velutina, “aproveitando-se a presente época do ano, pelo que o Fundo Florestal Permanente, nos termos regulamentares, está em condições de proceder a um apoio nacional visando um intenso combate a este insecto”.

11 - Vespa

 

SOS Vespa ajuda a identificar e localizar ninhos

(Reportagem publicada na edição de 13 de Setembro de 2018)

Na verdade, a presença da vespa em Portugal remonta já ao ano de 2012 e, apesar de ser uma espécie invasora, a vespa tem criado um alarmismo excessivo na população, que teme pela sua saúde.

“Não há uma perigosidade maior desta vespa em relação à vespa normal, à qual estamos habituados. Em termos toxicológicos, a toxina da vespa velutina não é pior do que a toxina da vespa normal. A grande diferença é o número de indivíduos e a sua agressividade”, explicou ao “Campeão” Ana Paula Carvalho, subdirectora da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), alertando, no entanto, a população para que “não haver aproximação do ninho”, já que quando as vespas poderão atacar “por se sentirem ameaçadas”.

A maior preocupação em relação a esta espécie está, por isso, no facto de atacarem as apiculturas (e, também, algumas culturas como vinhas e pomares.

É, nesse sentido, que o Ministério do Ambiente e o seu congénere da Agricultura, a par de outras entidades públicas, têm reunido esforços no sentido de vigiar e controlar da espécie em Portugal (agora com este apoio adicional aos municípios).

Inicialmente só presente no Norte do país, a vespa tem vindo a descer no território, em cerca de 70 a 80 quilómetros ao ano, havendo já alguns registos da sua presença em Lisboa e Santarém.

Segundo Tiago Moreira, da Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP), esta espécie “tem uma capacidade de adaptação brutal”, tendo já sido avistada em meios urbanos. O que este responsável defende é uma “mudança na forma como se faz apicultura”, de forma a defender as colmeias e, por conseguinte, as abelhas e a actividade apícola.

Embora o trabalho dos apicultores seja essencial, não só para salvaguardar o seu negócio, como também para identificar novos ninhos, cabe às autoridades competentes controlarem e eliminarem os locais de nidificação da espécie.

Objectivo é “controlar e confinar a praga”

Aos apicultores, agricultores e população em geral pede-se, apenas, que saibam identificar, quer a vespa como o seu ninho, informando de seguida as entidades indicadas para o controlo da vespa.

No caso, este é um assunto da tutela dos dois ministérios referidos, em articulação com a Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) que, em conjunto, elaboraram o “ Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal” e que vai já na sua terceira edição. Estas entidades colaboram, depois com as Comunidades Intermunicipais, com as autarquias, serviços de Protecção Civil e até Juntas de Freguesia.

“A eliminação total ou erradicação destas espécies exóticas invasoras, que era o ideal, é praticamente impossível. Não temos ilusões. O que queremos fazer é, sobretudo, controlar e confinar a praga, evitando que alastre para zonas onde ainda não existe”, afirmou Paulo Carmo, do ICNF, acrescentando que tal procedimento é bastante “complicado porque se trata de um insecto”.

O ICNF tem à disposição dos cidadãos uma plataforma online, o SOS Vespa (http://www.sosvespa.pt/web), onde se pode ter acesso ao ‘Plano de Acção’, bem como qualquer cidadão ou entidade poderá registar, através do mapa, os locais onde se encontram vespas e ninhos. A partir daí, as organizações responsáveis envolvidas no controlo da praga tomam conhecimento e seguem para o terreno. Para denunciar a localização dos ninhos, os cidadãos podem, ainda, recorrer à Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520).

No âmbito do ‘Plano de Acção’, a DGAV e o ICNF têm realizado diversas acções de formação, nos territórios mais afectados, no sentido de explicar às CIMs, câmaras municipais, corporações de bombeiros e protecção civil quais a medidas a tomar.

Destruição dos ninhos

Geralmente, cabe à protecção civil de cada concelho actuar no caso da destruição de um ninho e as técnicas têm evoluído, sendo a mais recente a de um drone, criado pela Associação de Modelismo do Centro de Portugal em parceria com o Município de Montemor-o-Velho, com uma metodologia que destrói o ninho a partir do seu interior, injectando um líquido “que ataca o sistema nervoso central das vespas, matando a colónia”, explicou ao “Campeão” o presidente da Associação, Carlos Filipe.

O drone utiliza tecnologia inovadora, permitindo chegar aos ninhos onde o acesso é muito difícil e não colocando em risco nenhum elemento da protecção civil. Este equipamento, já testado com sucesso, tem duas funções: injecta o referido líquido ou dispara bolas de ‘paintball’ com esse mesmo químico, destruindo o ninho a partir do seu interior.

Em Coimbra, os bombeiros sapadores estão, também, já a utilizar esta tecnologia mas com uma cana, considerando o comandante Paulo Palrilha que se trata de um “método mais eficaz para o controlo desta praga”, cujos pedidos de ajuda para a eliminação de ninhos “não têm parado de aumentar”.

Note-se que as vespas ‘rainhas’ podem atingir os 3,2 centímetros e num só ninho podem viver cerca de 2 000 indivíduos, afirmando os especialistas que cada ninho de vespas asiáticas possa comer meio quilo de abelhas autóctones por dia.

Informações vespa

Características da vespa velutina (ou asiática)

 

Drone Vespa velutina

Drone Vespa velutina