Coimbra  23 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

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“Crise académica”/50 anos: PR saúda coragem do movimento estudantil

17 de Abril 2019

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou, hoje, a “coragem e consciência política” demonstradas por Alberto Martins e pelo movimento estudantil na “Crise académica”, ocorrida, há 50 anos, em Coimbra.

“Comemorando-se, hoje, 50 anos sobre a data da cerimónia que marcou, em Coimbra, o início da ‘Crise académica’, o Presidente da República saúda Alberto Martins e o movimento estudantil pela coragem e consciência política que os levaram a lavrar aquele momento histórico da luta contra a ditadura”, escreve Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem colocada no portal da Presidência da República na Internet.

Em entrevista concedida à Agência Lusa, anteontem, Alberto Martins recordou o início da contestação estudantil.

A decisão estava tomada, “a tensão” subia, a “alma cresceu” perante o ruído de colegas a entrar numa sala com “todas as autoridades” do país em ditadura, mas Alberto Martins pediu a palavra no “momento rigorosamente certo”.

A avaliação foi feita pelo próprio na entrevista, 50 anos depois de aquele “peço a palavra” em Coimbra iniciar meses de ‘Crise académica’, com greve às aulas e exames, encerramento da Universidade e cerco policial às faculdades da ‘Alta’ da cidade, transformando os alunos em “grandes protagonistas da História” e a data de 17 de Abril de 1969 “num afluente da queda da ditadura em Portugal”.

“A esta distância, acho que pedi a palavra no momento rigorosamente certo; falou o reitor, o decano da Faculdade de Ciências, vai a soerguer-se o ministro das Obras Públicas e levanto-me; era aquele o momento: ‘Em nome dos estudantes da Universidade de Coimbra, peço a Vossa Excelência para usar da palavra’.

“Só então a tensão se alivia”, assinala Alberto Martins, recordando que, nessa altura, «voou».

“A honra da Academia estava cumprida”, descreve o outrora presidente da AAC, na altura com 23 anos de idade e a frequentar o terceiro ano do curso de Direito.

Na cerimónia de inauguração do Edifício das Matemáticas, o Presidente da República, Américo Tomaz, respondeu ao jovem que viria a ser ministro da Justiça dizendo: “Bom, mas agora vai falar o ministro das Obras Públicas”.

Alberto Martins ainda ficou “na dúvida”; achou a resposta “ambígua”, talvez lhe dessem, mais tarde, a palavra, e, então, continuou “a arquitectar mentalmente o que iria dizer”, mas houve uma “explosão de aplausos dos estudantes” e os 1 000 a 1 500 presentes gritaram incessantemente que queriam falar.