Coimbra  20 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra revive Cortejo dos Reis no sábado

3 de Janeiro 2019

O Cortejo dos Reis percorre, no sábado (05 de Janeiro), a partir das 20h15, várias ruas da cidade de Coimbra, cumprindo uma tradição que a Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego (AFERM) tem mantido viva desde 2000.

O percurso começa em Santa Clara, junto ao Portugal dos Pequenitos, e segue em direcção à “Baixa”, entrando no largo da Portagem e percorrendo as ruas até à praça de 08 de Maio. Continua para a praça da República, largo de Celas e termina em Santo António dos Olivais, por volta das 22h30.

À chegada a Santo António dos Olivais tem lugar uma cerimónia na igreja, junto de um “presépio ao vivo”, onde são interpretados cânticos natalícios e entregues “ofertas” ao Menino pelos Reis Magos e participantes do cortejo. Os Reis Magos entregarão ouro, mirra e incenso e os membros dos grupos folclóricos, que representam o povo, produtos agrícolas e doçaria regional.

Este cortejo conta com a participação de cerca de 20 ranchos e grupos folclóricos que vão recriar o ambiente típico destes eventos que tanta gente mobilizavam.

Esta recriação histórica integra-se no Ciclo Natalício, a par com outras como a queima do cepo ou fogueira do Natal, os Autos do Natal, as Mesas da Consoada, a Ceia da Noite de Natal, a Missa do Galo e a visita aos presépios das igrejas.

A AFERM recorda que “era costume, ainda nos princípios do século XX, grupos de futricas e de tricanas dirigirem-se aos presépios das igrejas da cidade e mesmo de alguns conventos, onde entoavam cânticos em louvor do Deus Menino”.

“Ainda nos fins do século XIX e princípios do XX os Cortejos dos Reis em Coimbra eram muito afamados e tinham a participação incondicional da população”, explica a AFERM, recordando “a alegria esfuziante da população, que aderia em massa”.

Os Cortejos dessa época iniciavam-se com uma girândola de foguetes e eram sempre precedidos de um gaiteiro. Neles incorporavam-se rapazes empunhando archotes acesos, corcéis orientais conduzidos à arreata por palafrenis, que transportavam os presentes para o Deus Menino. A seguir vinham os Reis Magos imponentes, cheios de garbo, seguidos pelo seu séquito constituído por pajens e escudeiros e outros nobres. O Cortejo encerrava com outro gaiteiro. Quando chegavam ao largo dos Olivais, hoje largo Padre Estrela Ferraz, e naquele tempo apenas conhecido por Terreiro dos Olivais, os Reis apeavam-se dos seus cavalos e seguiam com a sua comitiva, à qual se juntava a população, até ao presépio para adorar o Deus Menino.

Esta tradição, como sucedeu com outras, acabou por se perder nos princípios da década de 40 do século passado. A AFERM tem incentivado os ranchos e grupos folclóricos a recriarem-na o mais fielmente possível, procurando assim manter vivas as tradições populares que fazem parte da identidade do povo.

Este evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra, da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais, da Paróquia de Santo António dos Olivais, da Polícia de Segurança Pública, da Polícia Municipal de Coimbra, da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, bem como do Grupo de Teatro do Sobral de Ceira, Centro de Bem Estar Social da Sagrada Família, do Grupo de Gaiteiros da Ribeira de Frades e dos 17 grupos Folclóricos associados da AFERM.

Fonte: O Despertar