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Coimbra: Centro de estudos quer aproximar negócios dos direitos humanos

16 de Janeiro 2018

A Coimbra Business School e o Centro de Direitos Humanos da Universidade de Coimbra (UC) juntaram-se para criar o Business & Human Rights Centre, um centro de estudos para a promoção dos direitos humanos em contexto empresarial.

O centro de estudos, investigação e formação é apresentado amanhã (quarta-feira), às 17h00, na Coimbra Business School – ISCAC (Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra), tendo como desígnio abordar questões como a responsabilidade social, o comércio internacional e a economia social, sensibilizando para temas como a igualdade de género, a compatibilização da vida familiar e profissional, a ética e a liberdade de consciência.

“Temos a percepção de que em muitas empresas a preocupação com os direitos humanos está presente, mas temos também consciência de que estamos a caminhar para um mundo empresarial em que a cultura dominante não é essa, em que a precariedade do trabalho é vista como regra e em que as condições laborais são factor de competitividade”, disse à agência Lusa o presidente do ISCAC, Manuel Castelo Branco, considerando que o Centro de Direitos Humanos e Negócios “é o contraponto” que pretende ajudar a construir.

Segundo este responsável, o ISCAC tem tido “essa preocupação ao longo dos últimos anos”, mas admite que as instituições desta área, “infelizmente, não reflectem estes temas”, considerando que o mundo, hoje, tem-se “construindo não em oposição directa, mas com indiferença à prática dos direitos humanos”.

“Os programas e currículos deixaram de ter qualquer referencial ético, político ou antropológico no que toca aos direitos humanos”, notou.

De acordo com Manuel Castelo Branco, o público para este centro de estudos será constituído por decisores políticos, empresários, gestores e estudantes.

Para o director do Centro de Direitos Humanos da Universidade de Coimbra, Jónatas Machado, o centro irá ter, sobretudo, um papel de formação, referindo que serão abordadas problemáticas como a corrupção, a responsabilidade social, a responsabilidade das empresas para com os trabalhadores, assim como a responsabilidade fiscal.

“A nossa preocupação vai ser claramente preventiva e ajudar essas empresas a estarem mais autoconscientes das questões de direitos humanos que se colocam. Vamos ajudar as empresas a fazerem o seu ‘check up’ jurídico”, explicou o docente da Faculdade de Direito.

Para Jónatas Machado, os empresários, às vezes, “nem pensam em olhar para a actividade empresarial em termos de direitos humanos”, sendo que o centro permitirá olhar para a actividade “com uns novos óculos”, evitando “o conflito e o litígio”.

De acordo com o docente, há a possibilidade, de no futuro, o novo centro de estudos trabalhar nestas áreas com parceiros de países de língua oficial portuguesa.