Coimbra  19 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Canção de Coimbra ecoou no funeral do “Rei do papelão”

22 de Dezembro 2017

A Canção de Coimbra ecoou, hoje, no cemitério da Conchada, durante o funeral de Carlos Alberto Duarte, o “Carlitos”, cuja simplicidade foi evocada por António Castelo Branco.

A Associação Académica (AAC) fez-se representar pelo presidente, Alexandre Amado, e por membros da Secção de Fado.

Além de ser conhecido por se dedicar à recolha de cartão, o franzino “Carlitos” tinha presença assídua à frente dos cortejos da Queima das Fitas e das “Latadas”, havendo começado a desempenhar esse papel apadrinhado pelo “Senhor Chico” (antigo porteiro da Associação Académica), e também se incorporava nas procissões da Rainha Santa.

Representantes da Associação das Cozinhas Económicas da Rainha Santa Isabel, um antigo coordenador cultural do INATEL, António Castelo Branco, e a dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Têxteis e ex-vereadora Fátima Carvalho também assistiram ao enterro de Carlos Alberto Duarte, falecido aos 72 anos de idade.

Quem também compareceu no cemitério da Conchada foi Carlos Alberto Freire, único sobrevivente de um quinteto de figuras típicas de Coimbra de que, além dos Carlos, fizeram parte Daniel (carinhosamente alcunhado de “Tatonas”) e uma inseparável dupla – Pedro e Adelino.

Ao enterro do “Rei do papelão”, a cargo da agência funerária JBarroca, associou-se gente humilde, como um funcionário do café Angola, Bruno Morais, filantropo, que subtraiu o “Carlitos” a algumas agruras inerentes à vida dos pobres.

Carlos Duarte ainda tinha mãe, quase centenária, mas a idosa encontra-se em Lisboa para passar a quadra natalícia na capital.

“Em antítese ao poder e à riqueza, às mordomais (…), honrarias, condecorações e aos demais títulos (…), tu eras (e sempre foste) Carlos ‘Pipi’, o ‘Rei do papelão’”, assinalou o sobredito antigo coordenador cultural do INATEL.

Ao evocar a participação de Carlos Duarte na vida citadina conimbricense, António Castelo Branco aludiu a uma “forma (…) ingénua” de nela tomar parte e concluiu que Coimbra assistiu “com mágoa” à última partida do “Rei do papelão”.

Era garbosamente que “Carlitos”, uma da figuras típicas que restam em Coimbra, compunha uma pose de concentração para desempenho do seu estatuto de portador de insígnias nos cortejos estudantis, assinalou, anteontem, o “Campeão”.

R.A.

 

Caixão Carlitos

 

Alexandre Amado, presidente da Associação Académica de Coimbra, marcou presença no funeral

Alexandre Amado, presidente da Associação Académica de Coimbra, marcou presença no funeral

 

Carlos Alberto Freire, outra figura carismática da cidade de Coimbra, também prestou a última homenagem ao "Carlitos"

Carlos Alberto Freire, outra figura típica de Coimbra, também prestou a última homenagem ao “Carlitos”