Coimbra  20 de Outubro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Um aditivo para o “amor”

12 de Janeiro 2018

O debate sobre as substâncias aditivas continua sempre na ordem do dia, com maior ou menor realce e, nestes dias, tem tido mais destaque a legalização da canábis para fins terapêuticos, a propósito do debate que subiu ao plenário da Assembleia da República.

O debate “não só é necessário, havendo evidência empírica e argumentos sólidos a favor da sua legalização para fins medicinais, dentro, naturalmente, de um quadro devidamente regulado e controlado”, segundo vinca Jorge Sampaio, ex-Presidente da República e actual membro da Comissão Global sobre Política de Drogas.

A Comissão tem desempenhado um papel relevante no processo de mudança de paradigma, nomeadamente na preconização do próximo passo a dar: “Para além da descriminalização, que está ainda longe de ser o modelo dominante, deveria ser o da regulação dos mercados das drogas”.

O caso português, que inclui a descriminalização da posse de droga para consumo pessoal, é apontado como um sucesso, pela Comissão, contribuindo para a redução da criminalidade e de casos de VIH entre toxicodependentes, mas com Jorge Sampaio a admitir que é possível e desejável aperfeiçoar o sistema ao nível da prevenção da toxicodependência, da redução de riscos e do próprio tratamento.

Aqui chegados, vamos a casos concretos. Esta semana, uma mulher começou a ser julgada no Tribunal de Aveiro, num processo por tráfico de droga, juntamente com mais dois ex-companheiros, estando os três em prisão preventiva.

Questionada pelo colectivo de juízes, a mulher confessou os factos, mas negou que os arguidos formassem um grupo. “Cada um vendia para si e cada um tinha os seus lucros”, afirmou, com a arguida a admitir que chegou a adquirir, juntamente com o seu companheiro, entre 250 a 300 euros de droga, diariamente no Porto, para vender a toxicodependentes. De acordo com a investigação, os arguidos adquiriam cada dose por cinco euros, que vendiam pelo dobro, obtendo um lucro mensal de 12 000 euros.

Factos confessados, ainda é mais curiosa a justificação da mulher para o que fazia: “O amor pelos seus companheiros de então. “Isto não tem explicação. É o amor”, disse a arguida, que em Outubro de 2016 separou-se do companheiro e iniciou uma relação amorosa com outro homem, toxicodependente, continuando a dedicar-se ao tráfico.

Concluindo. Foi uma “relação amorosa” com a droga, a três e durante três anos, com dedicação exclusiva à venda de cocaína, heroína e haxixe.

 

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