Coimbra  23 de Maio de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Victor Baptista

Turismo: A “golpada eleitoral”

16 de Maio 2018

*Ex-deputado do PS

 

Há um mês, o “Campeão” noticiou a possibilidade da minha candidatura a presidente executivo da entidade regional Turismo Centro de Portugal (TCP). E a notícia possuía fundamentação.
De facto, eu tinha iniciado discretos contactos para o efeito e aguardava a marcação da eleição, cuja data teria obrigatoriamente de ser publicamente divulgada.
A TCP bem precisa de ser despertada para a dinamização do crescimento de infra-estruturas nas cidades, em particular as do Centro e, entre as muitas outras carências, são necessários hotéis e empresas de animação nas capitais de distrito, bem como roteiros ou produtos promovidos nas comunidades intermunicipais (CIM´s) para não falar da política de proximidade a Espanha.
Há falta de grupos hoteleiros nacionais e internacionais e a interligação dos “players” de congressos e turismo universitário não existe, para não falar na captação do turismo sénior.
Faltam parques temáticos de animação e museus em cada CIM.
Não existe uma estratégia integradora das potencialidades da Região de Turismo Centro, perderam-se 10 e vão-se perder mais cinco anos.
Pedro Machado habituou-se à “golpada eleitoral”! Em 2013, marcou eleições na TCP para 21 de Agosto, quando as autárquicas se realizavam a 29 de Setembro; sabendo que os municípios representam 65 por cento do universo eleitoral, não correu riscos.
Agora, em 2018, mais uma “golpada eleitoral”! Logo que teve conhecimento da minha movimentação, mais uma vez, para não correr riscos, antecipou a eleição para 23 de Maio em violação das regras constantes do Regulamento Eleitoral. Se não vejamos, transcrevo o artigo 3º.
sobre a Assembleia Geral eleitoral:
1.Nos sessenta dias úteis que antecedam o termo do mandato em curso ou, no caso de eleições intercalares, dentro dos trinta dias úteis seguintes à cessação do mandato, deve realizar-se uma Assembleia Geral extraordinária eleitoral.
2. A Assembleia Geral extraordinária eleitoral é convocada pelo presidente da Mesa da Assembleia, com a antecedência mínima de trinta dias úteis em relação à data do acto eleitoral, através de carta registada com aviso de recepção ou por qualquer meio de transmissão escrita e electrónica de dados, desde que obtido o respectivo recibo ou relatório de transmissão bem-sucedida….”.
Pedro Machado foi eleito a 21 de Agosto de 2013 e tomou posse a 23. Ora, dever-se- iam realizar eleições nos 60 dias úteis que antecedem o termo do mandato; contados tais dias, a data nunca poderia ser antes de 29 de Maio de 2018, mas foram marcadas no segredo dos “deuses”, sem a devida divulgação pública. Só a 09 de Maio, através de um jornalista, tive conhecimento da convocação das eleições para o dia 23. Ora, como as listas têm de ser subscritas e entregues 10 dias antes, a coisa até funciona.
Mais: Pedro Machado conhecia as minhas diligências e andou, em algumas CIM´’s, a apresentar a sua candidatura, sem que publicamente se conhecesse a data das eleições, a referenciar ser a única e pedindo que a subscrevessem.
Quem afirma ter mais de 90 por cento de apoio do universo eleitoral não precisa de construir habilidosamente “golpadas” e, com toda a certeza e humildade, vai pedir nova convocação do sufrágio, no estrito cumprimento do Regulamento Eleitoral.
E se o sufrágio se realizar num novo prazo eleitoral, na falta de outros, contribuirei democraticamente, com gosto, para a valorização do acto, criando uma alternativa.
Costuma-se dizer que “quem não é pelo golpe é contra o golpe”. Por mim, pelo golpe, só o de 25 de Abril de 1974, pela sua virtuosidade, a permitir um sistema democrático em Portugal, respeitador do Estado de Direito.