Coimbra  24 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Mário Carvalho

Seca: o panorama é mau e pode ficar dramático

20 de Março 2019

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Para esta organização da lavoura, crescem as preocupações por se antever mais um ano complicado para os agricultores por falta de precipitação.
Segundo os dados do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera), a temperatura média anual tem subido cerca de 0,20 graus por década, desde os anos 50 [ do século XX], em Portugal, destacando-se a região Centro, com Coimbra a registar uma aumento na ordem de 0,32 graus, em igual período.
Por outro lado, a queda de chuva tem diminuído, no território nacional, cerca de 40 milímetros por década.
Há muito que a questão das alterações climáticas tem sido lançada a público no sentido de alertar para o problema. Ou seja, a questão não é de agora. Já tínhamos sido avisados.
Tal como com o problema dos plásticos, por conforto ou mesmo ganância pessoal e/ou grupal, ao que acrescentamos ignorância e falta de educação ambiental, passaram muitos anos sem nada ser feito de substancial para reduzir este flagelo. Aspecto em que o poder político não fica isento por haver feito “orelhas-moucas” sobre o assunto e demagogicamente ter ido “assobiando para o lado”.
Quer ao nível planetário, quer a nível nacional, o problema começa, agora, a ter contornos preocupantes. E foram precisos diversos incêndios, onde lamentavelmente várias pessoas ficaram sem vida, a que juntamos uma elevada seca, no ano 2017, com as televisões a dar imagem disso, para o poder político ficar «encurralado» na sua acção e sem mais desculpas.
“Tarde e a más horas”, Portugal começa, agora, a acordar para uma realidade, há muito anunciada, sem muito ter feito de forma substancial, nas últimas décadas.
Por exemplo, no que toca a desperdício de água, o país continua a não ter políticas objectivas e eficazes. Basta para isso ter em comparação Israel e outros países, onde este elemento não abunda, mas conseguem uma gestão dos recursos hídricos limitando os desperdícios ao máximo.
Obviamente que ao nível autárquico a realidade não é muito diferente.
Com os senhores autarcas na senda de agradar às massas e continuarem a apostar em espaços lúdicos onde o desperdício de água é deveras preocupante.
Face ao problema emergente, começa a não fazer mais sentido apostar em espaços verdes, e noutras coisas que tais, onde a água é utilizada de forma acessória. Os mesmos espaços verdes podem ser construídos com plantas de menor exigência em termos de consumo de água. Podem não ser tão bonitos, mas a situação assim o dita.
A água é um bem essencial!
Portanto, este problema, gravíssimo, em nosso entender, não pode continuar a ser ignorado e devem ser estabelecidas regras rígidas, a começar, logo, pelo Estado, em que as autarquias estão inseridas.
Haja vontade política para agir nos diferentes níveis do Estado (Governo e autarquias). “Já ontem era tarde”!