Coimbra  23 de Outubro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Sofia Colares Alves

Reconciliar os plásticos com um desenvolvimento sustentável

2 de Agosto 2018

Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal

O plástico está em todo o lado. No despertador que nos acorda todas as manhãs, na cozinha onde tomamos o pequeno-almoço, no carro ou no transporte público que usamos e no trabalho, onde passamos grande parte dos nossos dias. É ingénuo pensar que podíamos, de um momento para o outro, viver sem o plástico. Mas também é certo que, se não mudarmos as nossas políticas, ele vai prejudicar cada vez mais a nossa saúde.

A cada segundo, 700 quilos de plástico acabam nos oceanos. Se não actuarmos para alterar rapidamente a situação, em 2050 já teremos mais plástico do que peixes nas nossas águas. Para além de representar um risco para a saúde, este desperdício não beneficia em nada as nossas economias. Produzimos 26 milhões de toneladas de resíduos de plástico por ano, que não são reaproveitados nem trazem mais-valias para os nossos sistemas produtivos.

Temos de agir para travar estes problemas e este é o momento certo. Se sabemos que vamos continuar a precisar dos plásticos, porque não lutar por plásticos melhores, recicláveis e reutilizáveis?

A Comissão Europeia acaba de propor que, até 2030, todos os plásticos no mercado europeu possam ser reutilizados e reciclados. No passado, impusemos a redução do uso de sacos de plástico e controlámos e reduzimos a quantidade de microplásticos nas nossas praias. Agora, e até ao fim de 2018, vamos adoptar medidas e propor iniciativas legislativas para substituir os plásticos descartáveis. Mas queremos fazê-lo com benefício para as nossas economias. Para isso, pretendemos criar um verdadeiro mercado único para o plástico, mas sobretudo para aquele que é reciclável. Vamos estudar a forma de dar benefícios fiscais aos que conseguirem reduzir o uso deste material e vamos também, através do programa ‘Horizonte 2020’, aumentar o financiamento para empresas que inovem nos métodos de reciclagem e de produção de plástico com outras matérias-primas que não o petróleo. Se o fizermos de forma correta, criaremos procura para um mercado que promove a sustentabilidade ambiental e reduz os malefícios desta indústria para os cidadãos europeus.

A ‘Estratégia para os Plásticos’, que a Comissão Europeia acaba de apresentar, parte de cinco objectivos muito simples: tornar a reciclagem rentável para as empresas, diminuir a quantidade de resíduos, proibir a deposição de lixo no mar, fomentar o investimento e a inovação e estimular uma mudança de atitude em todo o planeta. O problema é, e não deixará tão cedo de o ser, global. As soluções, para serem sustentáveis e duradouras, também terão que ser globais.

Cabe-nos a nós, europeus, encontrar soluções que, sendo viáveis para a nossa economia, favoreçam que nas próximas décadas a utilização dos plásticos no nosso planeta seja feita de forma realmente inovadora e sustentável.

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