Coimbra  20 de Junho de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Querem “crucificar” a directora regional da Cultura

8 de Março 2018

“Elogiar uns nunca é criticar outros”, replica a director regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, colocada perante uma petição pública que exige a sua demissão e a quer “crucificar” por um “delito” de opinião.

Esta atitude, vinda do Manifesto em Defesa da Cultura, de vários artistas e docentes, aberta à adesão do público, parece algo estranha por vir de quem cultiva a arte e afirma a liberdade criativa, mas na maior parte dos casos vive de apoios e de funções públicas.

Celeste Amaro esclarece que, na âmbito da apresentação da programação para 2018 do Leirena Teatro, na sua sede em Leiria, quis “valorizar a forma como este grupo tem desenvolvido a sua actividade, sem necessitar de qualquer apoio financeiro da Administração Central, ao longo dos seus quase sete anos de existência”.

“Colaborar com todos quantos necessitam de apoio institucional não é excluir ninguém (…) e não pode também impedir a valorização daqueles que encontram novas formas para desenvolverem a sua, igualmente meritória, actividade cultural, sento também justo destacar o contributo da Administração Local e algumas vezes da economia privada”, considera a directora regional de Cultura do Centro.

Na petição pública, dirigida ao ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, os subscritores “repudiam” as declarações de Celeste Amaro e afirmam que, “em face da atitude que elas revelam, não tem condições para continuar no cargo”.

Na petição pública agora lançada estão, entre os primeiros subscritores, o poeta e ex-director do Teatro Municipal da Guarda Américo Rodrigues, o director da companhia de Coimbra Escola da Noite, António Augusto Barros, o realizador António Ferreira, o director do Teatro Académico de Gil Vicente, Fernando Matos de Oliveira, a directora do Teatrão, Isabel Craveiro, a ilustradora Ana Biscaia, a coreógrafa Leonor Barata, o encenador e actor Ricardo Correia e o docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Rui Bebiano.

A subscrever a petição, estão também a professora coordenadora da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, Eugénia Vasques, a dramaturga Patrícia Portela, a jornalista Diana Andringa, a actriz Joana Manuel e o dramaturgo Jacinto Lucas Pires, entre outros.

Para os subscritores, as declarações de Celeste Amaro “tentam criar uma clivagem entre estruturas ‘subsidiadas’ e ‘não subsidiadas’ e entre profissionais e não profissionais, amesquinham os próprios funcionários do Ministério e as personalidades convidadas para avaliar as candidaturas apresentadas, contradizem o espírito e a letra da Constituição e do programa do actual Governo e – sobretudo – insultam os cidadãos que são os principais beneficiários das políticas públicas de cultura no nosso país”.

O Bloco de Esquerda também já enviou um requerimento ao Ministério da Cultura para saber se o Governo considera que a directora regional da Cultura do Centro tem condições para continuar no cargo.

Do que Celeste Amaro disse, o BE tira logo uma conclusão: “Directora regional da Cultura elogia ausência de investimento nas artes”.