Coimbra  20 de Outubro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

Que diabo de (in)decisão!

4 de Outubro 2017

Pedro Passos Coelho andou, em 2016, a acenar com a vinda do Diabo, querendo significar que a conjuntura ia acabar por espatifar a “geringonça”. Por ironia do destino, foram as eleições autárquicas de 2017 que «empurraram» o líder do PSD para os infernos.

Frequentemente realizadas a meio de um ciclo governativo, as autárquicas são, em geral, um teste ao desempenho do(s) partido(s) detentor(es) do poder a nível nacional. Desta vez, não foi assim, pois, já antes de 01 de Outubro, as eleições locais não causavam sobressalto ao PS.

A atestar o insucesso sofrido pelo PSD avulta o péssimo resultado averbado na capital, onde Assunção Cristas (CDS/PP) suplantou a candidata social-democrata Teresa Leal Coelho.

Há sete anos e meio na liderança do seu partido, Pedro Passos Coelho permanece agarrado ao legado do seu trabalho meritório de primeiro-ministro incumbido de subtrair Portugal à bancarrota em que José Sócrates o mergulhou.

Até pode aceitar-se que o anterior primeiro-ministro haja tardado a compreender o que lhe aconteceu quando, há dois anos, ganhou as eleições legislativas e, apesar disso, teve de abandonar a chefia do Governo.

Inaceitável, na conjuntura politico-partidária do passado recente, é que Passos Coelho não tenha tido «golpe de asa» para se assumir como candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Que diabo de (in)decisão!