Coimbra  23 de Julho de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Luís Santos

Quando as raposas vão ao galinheiro

12 de Julho 2018

Uma investigação do jornal Financial Times revela uma situação “baixa”, mas que se passa ao mais alto nível, com as chamadas “big for”, as quatro maiores empresas de auditoria e consultoria – KPMG, EY, PwC e Deloitte.

Só em 2016, as multinacionais ganharam contratos de oito milhões de euros da Direcção-Geral de Fiscalidade e União Aduaneira da Comissão Europeia para realizarem estudos sobre várias questões fiscais e já este ano 10,5 milhões de euros para a realização de estudos comparativos.

O jornal britânico fala em “conflitos de interesse”, já que as gigantes prestam aconselhamento fiscal a diversas empresas, muitas delas identificadas em investigações como o Lux Leaks, os Panama Papers ou os Paradise Leaks.

“Quem fica a fazer figura de parvo é a Comissão Europeia. Deviam fazer melhor que convidar as raposas para conhecer as medidas de segurança do galinheiro”, afirmou o professor Karthik Ramanna, da Universidade de Oxford, citado pela publicação.

É que as consultoras têm sido alvo de críticas pelo papel de intermediárias entre vários Estados-membros e multinacionais para fazerem acordos fiscais que lhes permitem pagar montantes de imposto muito baixos.

Nota-se, também por cá, que o BES foi ao fundo, enquanto a empresa certificadora de contas, uma das “big for”, dizia que no banco estava tudo conforme…