Coimbra  20 de Abril de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Quando a carta não é entregue

9 de Fevereiro 2018

Durante bastante tempo os municípios e as juntas de freguesia apararam o “jogo” dos Correios, ao assumirem funções dos CTT em locais autárquicos, com a justificação de terem de servir a população.

Paulatinamente, os CTT foram desacelerando a missão de serviço público postal universal – há correspondência nacional a demorar 15 dias úteis a chegar ao destino e correio registado a ser entregue cinco dias úteis após o envio – e incrementarem as funções bancárias.

Num recente encontro com jornalistas, em Coimbra, o presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) afirmou estar atento ao que se passa em relação aos CTT, dado que “existem regras a cumprir”. João Cadete de Matos afirmou que os Correios são obrigados a observar o “grau de densidade” de postos e estações e a oferta postal tem de ser uma “prioridade”.

O regulador recordou, a propósito, o que muitos não sabem e os CTT parecem não querer cumprir, apesar de obrigados por lei: A mais de 10 quilómetros de um posto de Correios os carteiros não têm apenas de entregar a correspondência, mas também de recebê-la, vender os selos e pagar os vales postais.

No concelho de Coimbra já fecharam, pelo menos, sete estações dos Correios, a que se junta, agora, a da praça da República, em pleno centro da cidade, com o presidente da Câmara Municipal, remetido ao silêncio. Mas Manuel Machado, como presidente da Associação Nacional de Municípios veio dizer, terça-feira, que quer reunir-se com a entidade reguladora das comunicações para debater “o que se está a passar” com os CTT.

Ao presidente da ANACOM, que curiosamente esteve recentemente na sede da ANMP, em Coimbra, Manuel Machado quer transmitir estar em causa “o encerramento de estações de correios, o despedimento de trabalhadores e a entrega do serviço postal universal a privados, que pode mesmo pôr em causa a idoneidade e a segurança das comunicações e da privacidade”.

Neste tempo do correio electrónico é mesmo melhor utilizar esta via, do que enviar um pedido de reunião por carta. Mas ainda há autarcas que dizem, entre dentes, que não ligam nada aos emails e se os cidadãos quiserem… que escrevam!