Coimbra  13 de Dezembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

Por que rima jornalismo com inconformismo

10 de Agosto 2017

“A História da condição humana é (…) de luta pela verdade, contra a mentira, a manipulação, a versão fabricada, os rumores”. São palavras do director-geral da Fundação de Gabriel Garcia Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano, Jaime Abello, que acaba de conceder uma entrevista à revista Visão.

As considerações do entrevistado destino-as em particular a um autarca – autor de uma recente mensagem com a qual me sugere que faça vista grossa às asneiras de Manuel Machado. Dirijo-lhas por se tratar do melhor que já li, durante mais de 30 anos do meu desempenho como jornalista.

Ao assinalar que “o jornalismo é uma vocação de serviço público”, Abello faz notar que “as mentiras sempre foram um recurso de habilidade e, às vezes, de perfídia, para ganhar o controlo da narrativa pública”.

“Sabemos que, no fundo, a política e a vida social são conflitos de narrativas, sendo que, em muitas ocasiões, os paradigmas de compreensão da realidade são definidos em função dos poderes do momento”, adverte o director-geral da Fundação de Gabriel Garcia Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano.

Perante os malefícios da abundância de suposta informação (suposta por carecer de certificação), Jaime Abello previne que “o desafio” posto ao jornalismo consiste em ele “distinguir-se do resto”. “Jornalismo não é apenas divulgar informação; há que valorizá-la, organizá-la, hierarquizá-la e interpretá-la”, acentua. “O pior que lhe poderá acontecer”, prossegue, “será ficar sepultado por baixo da falsa informação, do excesso de notícias e de opinião”.

Numa resenha da História do Jornalismo, Abello conclui que ele ascendeu ao patamar de “verdadeiro serviço público para a democracia”.

Ora, isso é ignorado pelo autarca que me enviou a tal mensagem. Talvez o gozo de férias lhe faça bem.