Coimbra  13 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

Por amor da Santa…

5 de Março 2018

Com o rei D. Dinis a ser invocado como “repúblico” e criador do Pinhal de Leiria, a Câmara de Coimbra voltou, hoje, à insólita situação de haver actas de reuniões aprovadas com votos contra.

“Falta constar que o Senhor presidente da Câmara Municipal me chamou ignorante”, declarou José Manuel Silva ao justificar o seu voto desfavorável e o da vereadora Ana Bastos (ambos do movimento “Somos Coimbra”).

Há dois meses, o líder do Município conimbricense, Manuel Machado (PS), disse ao vereador do movimento independente para “chamar pateta” ao próprio José Manuel Silva, sendo que o prefeito reagiu deste modo a considerações sobre alegado desempenho patético da autarquia.

“O texto da acta” alusiva à sessão camarária de 19 de Fevereiro [de 2018], “tal como se encontra, faz o branqueamento de parte do debate, o que é inaceitável em democracia”, advertiu o vereador de “Somos Coimbra”.

O diálogo entre protagonistas da (relativa) maioria socialista e o líder daquele movimento independente teve outro «ponto alto» quando José Manuel Silva, ao imputar incoerência à vereadora da Cultura, opinou que ela acabara de perder “uma boa ocasião para estar calada”, tendo Carina Gomes replicado, com sarcasmo, que “intervenções como a do vereador não dignificam” a autarquia.

Em mais uma jornada camarária com uma pobre agenda de trabalhos, a vereação do Município aprovou a outorga de um protocolo de colaboração com a ASAE, destinado, por exemplo, a “sensibilizar e capacitar a população escolar, em especial, e a comunidade educativa, em geral, em matéria de higiene e segurança alimentar”.

Ora, isso existe, senhores autarcas. Falta é todos os agentes intervenientes no processo educativo assumirem a sua quota parte de responsabilidade no controlo do fornecimento das refeições aos alunos das escolas do primeiro ciclo do ensino básico e às crianças dos infantários.

A alusão a D. Dinis, feita, hoje, em sessão da Câmara Municipal de Coimbra, tem sentido, sobretudo, para me legitimar a invocar “o amor da Santa” [rainha Isabel], cujos milagres tanto jeito fariam na praça de 08 de Maio.

 

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