Coimbra  25 de Junho de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Os/as Cibers isto e aquilo: Em jogo a Defesa Nacional

8 de Junho 2018

O Ciberespaço, essa coisa nova que se espalha por aí, por todos os cantos e por todos os poros, nas nossas vidas, é uma realidade do nosso tempo.

Um tempo moderno, um tempo de comunicações virtuais e um tempo de espaços que não vemos, não cheiramos, não apalpamos e nem percepcionamos, vezes sem fim.

O novo Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), o almirante A. Silva Ribeiro, definiu nove pontos para a sua estratégia de mandato. Desses destaco como o principal, porque se trata de uma personalidade militar com ligações muito estreitas a assuntos de terrorismo, de ‘intelligence’ e de segurança, o que se liga ao Ciberespaço.

Esse palavrão da modernidade e deste tempo de virtualidades, de tecnologias avançadas, de computadores, de centros estratégicos militares e civis, de troca de informações, de vigilâncias de todo o tipo, de corte nas e das nossas liberdades individuais e colectivas, de aeronaves não tripuladas, de drones que nos perseguem, de conquista do aeroespaço, de estações interplanetárias, de naves espaciais que vasculham a terra e de tantos outros equipamentos que nos sondam as vidas… deve fazer-nos reflectir.

Reflectir porque o que há-de vir pode pôr em causa a nossa vida, a liberdade dos povos, a segurança dos Estados e a soberania das Nações.

Do que tenho lido, estudado e da troca de opiniões com pessoas que percebem deste sector melindroso, em que incluo o almirante A. Silva Ribeiro, meu colega que foi no liceu de D. João III, em Coimbra, hoje Escola Secundária de José Falcão, uma amizade que prezo, ainda hoje, trata-se de um tema que nos deve preocupar a todos.

A própria NATO coloca um forte in foco nesta matéria, porque de relevância para os dias de hoje e para os de um amanhã próximo.

Têm existido ciberataques perpetrados por alguns “garotitos” entendidos na matéria e outros pelos chamados ‘hackers’. Mas os mais agressivos são efectuados pelos serviços secretos de países com assinalável presença neste domínio.

Falando, sumariamente dos ‘hackers’, diria que seguem uma espécie de ética, a deles, ditando que uma missão por conhecimento e informação é essencial. Compartilhar este conhecimento é dever dos ‘hackers’ para com a comunidade. Durante esta missão por conhecimento, alguns ‘hackers’ divertem-se com desafios académicos em furar controles de segurança em sistemas de computadores. Por esta razão, a imprensa comummente usa o termo ‘hacker’ para descrever aqueles que têm acesso, ilicitamente, a sistemas e a redes com intenções sem escrúpulos, maldosas ou criminosas.

Há diversos grupos distintos de indivíduos que encontram e exploram vulnerabilidades em redes e sistemas. Eles são descritos pela tonalidade do chapéu que “vestem” ao realizar suas investigações em segurança e essa tonalidade indica as suas intenções.

Ciberameaças por todo o lado

As ciberameaças estão lactentes por todo o lado, aliás, o que tem constituído um desafio a todas as forças policiais do nosso Globo, especialmente as que mais se entregam a este vulnerável sector. A propaganda do ‘Daesh’ e da ‘Al Qaeda’, além a de outras organizações terroristas tem sido assinalada nas redes sociais para propaganda e não só…

Em face de toda esta trama, de contornos muito enigmáticos e, também, de um submundo que transita nesse tipo de redes tecnológicas avançadas, onde sobressai o crime organizado, o terrorismo, a prostituição, a escravatura humana e outras mais valências se passeiam, com muito à vontade, têm os Estados e as Organizações Mundiais de, com a envolvência de instituições policiais vocacionadas para esta área e, também, com a participação empenhada e sólida das Forças Armadas – um sector de extrema importância para e na defesa das nações e dos cidadãos – estar precavidos para esta nova modalidade de ataques que podem ter consequências graves e imprevisíveis.

Ainda recentemente, o CEMGFA afirmava que a Ciberdefesa Nacional tem de ser uma aposta de Portugal e que se vai empenhar, durante o seu mandato, para que nos três ramos das Forças Armadas que comanda haja uma especial atenção no ciberespaço, um controle efectivo dos cibernautas que apostam em espiolhar certos centros nevrálgicos e uma aguda vigilância quanto às ciberameaças.

Este será, e na palavra do almirante A. Silva Ribeiro, um novo domínio das operações militares para garantia da soberania nacional, da defesa dos nossos interesses vitais e, também, do nosso património e dos nossos compatriotas.

Quis trazer aqui este assunto para nos irmos familiarizando com ele e, ainda, para que passamos tomar consciência da sua amplitude e de alguma inquietação futura que poderá trazer se não se conseguir vigiar.

Atentemos no que o Facebook foi capaz de fazer ao divulgar dados de muitos milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, alguns deles da vida íntima de cada um e até confidenciais. Escancarou-se uma janela que pode ter resultados imprevisíveis, dos mais variados pontos de vista: éticos, pessoais e humanos, para já não dizer civilizacionais…