Coimbra  30 de Abril de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

O salário é mais curto do que o mês

13 de Abril 2017

Entre o que a empresa regista na folha de remunerações e aquilo que cada um leva para casa ao fim do mês há diferenças muito significativas.

Os impostos e contribuições para a Segurança Social levaram, em média, 41,5 por cento dos salários dos portugueses em 2016, tendo em conta trabalhadores com salário médio e sem filhos.

Noutra perspectiva, no ano passado, a situação melhorou ligeiramente, mas, ainda assim, um trabalhador a ganhar o salário médio, e sem filhos, só recebeu 58,5 por cento da remuneração bruta.

Se, ao mesmo trabalhador-tipo (um solteiro a ganhar a remuneração média) acrescentarmos dois filhos, a sua carga fiscal global não só é substancialmente inferior, como caiu de forma mais acentuada em 2015/2016.

Segundo o “Taxing Wages”, a carga tributária total foi de 28,2 por cento, pelo que este trabalhador-tipo levou para casa 71,8 por cento do seu rendimento bruto total, uma percentagem muito superior à de quem não tem filhos a cargo e que representa uma quebra de 2,5 pontos percentuais face a 2015.

Esta quebra fica a dever-se à reforma do IRS empreendida pelo anterior Governo, e que, além de ter aumentado as deduções à colecta por filho, criaram também o quociente familiar, o que levou a um grande aumento dos reembolsos no ano passado.

Estas são algumas das conclusões que se podem tirar dos dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), constatando-se, ainda, que há diversos países que tributam mais pesadamente que Portugal, mas desde o “enorme aumento de impostos” anunciado pelo então ministro Vítor Gaspar que o país saltou do grupo da segunda metade da tabela dos que menos tributos cobram, para a parte de cima da tabela.

Portugal é (a par da República Checa) o 12.º país entre os que paga mais impostos, acima da Grécia (40,2 por cento) e de Espanha (39,5 por cento), numa lista liderada pela Bélgica (54 por cento) e pela Alemanha (49,4 por cento).

A questão, aqui, vai mais longe do que saber se pagamos muito ou pouco. O essencial reside no montante com que ficamos para o mês (mais baixo que em países com maior cobrança) e no que o Governo faz com os nossos impostos.