Coimbra  22 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

O que dá muita comichão…

22 de Fevereiro 2019

OCDE

O relatório bianual da OCDE dedicado à economia portuguesa foi divulgado e, este ano, a organização decidiu que um dos temas principais seria a corrupção, o que causou reacções acesas do Governo português por causa do retrato que constava da versão preliminar.

O texto final – que se divide entre um capítulo geral, um segundo sobre exportações e um terceiro sobre a justiça – não dá destaque especial à corrupção, surgindo no texto a necessidade de haver mais recursos para a investigação aos crimes económicos e financeiros, a recomendação de se criar um tribunal especializado em corrupção, de mudar o sistema de recurso para “evitar abusos” e a criação de um registo electrónico dos interesses dos políticos e dos altos responsáveis da administração pública.

Na versão preliminar estavam casos mediáticos de corrupção na política e nos negócios, nomeadamente o caso do ex-primeiro-ministro José Sócrates, e a forma como Portugal sai mal visto quando comparado com outros países da OCDE nos indicadores sobre percepção da corrupção (92 por cento dos portugueses acredita que a corrupção era generalizada no país e 79 por cento diz que a corrupção faz parte da cultura de negócios).

Da Europa chegam outros dados relativos a Portugal: o montante perdido para a corrupção (18,2 mil milhões de euros) supera o orçamento anual para a Saúde (16,2 mil milhões de euros) e é 10 vezes superior às despesas com o desemprego (1,8 mil milhões). Se fosse redistribuído por toda a população portuguesa, o valor perdido para a corrupção daria 1 763 euros por ano a cada português.

Se o problema está aí e todos o sabem, porquê tanta comichão?