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Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

O poder chinês nos mares

11 de Abril 2019

Cina Mar

 

A China tem vindo, segundo dados oficiais, a recuperar a falta de investimento na sua Marinha de Guerra.

Começa a ser uma preocupação para a outra potência naval, a americana.

Vejamos, em números, tendo por base os últimos dados, os efectivos, em embarcações, de ambos os lados:

China: 330 navios, 66 submarinos e 2 porta-aviões.

Estados Unidos da América: 215 navios; 72 submarinos e 11 porta-aviões.

Mas a China prepara-se para, e até 2025, chegar aos 500 navios e 79 submarinos, enquanto os USA esperam aumentar a frota de navios de guerra para 355, no mesmo espaço de tempo.

Esta aposta – forte e visível – da poderosa nação chinesa não pode passar indiferente num tempo em que a globalização é um dado adquirido e, também, numa época em que algumas tensões – sociais, políticas, geo-estratégicas, comerciais, económicas e outras – começam a aparecer em muitos locais do planeta e a fazer-nos admitir que uma guerra regional ou de âmbito mais alargado pode estoirar.

Estoirar porque essas convulsões ou instabilidades ocorrerem com frequência, com destaque para certas zonas em que os conflitos armados prosseguem, assim como noutras latitudes em que as divisões internas que incomodam certas Nações podem provocar guerrilhas ou estados de sítio. Estoirar porque a necessidade que a indústria de armamento e militar tem, em que se incluem as frotas navais e as aéreas, dos respectivos países, de não deixar de produzir é enorme, até pelo facto de empregar milhares de pessoas e de ser um produto cobiçado e fornecer biliões de dólares para as finanças de certas empresas e para a economia de alguns países.

Mas voltando ao tema.

A China, e presentemente, está a lançar-se aos Mares, em muitas direcções. Percebeu o alcance das águas dos Oceanos. Entendeu que arrecadam poder. Está a verificar que nelas existe muita riqueza. Também avaliou que quem dominar os Mares, como outrora, terá o benefício dos comércios e chegará mais rápido a terras, sejam elas quais forem…

A República Popular da China, um gigante comunista-maoista, com tiques capitalistas, agiganta-se nessa porção mágica, as águas dos Oceanos e dos Mares, por quase todo o lado. Tem comprado portos no Atlântico e no Mediterrâneo, além de estar presente no Pacífico, em força e em grande escala, promovendo a protecção das suas costas.

A mesma China que já deve ter feito um trabalho de estudo, e bem valorado, que lhe demonstra a força irrequieta e pouco detectável de “piratas e outros mosqueteiros dos Mares”, numa demonstração bem orquestrada de guerrilha naval, gente interessada em conquistar posições, sulcando as costas de Países indefesos e desprotegidos.

China que está atenta à abertura do novo Canal do Panamá, com outras condições de navegabilidade, numa porta escancarada de passagem entre o Atlântico e o Pacífico.

Se o Ocidente não esquadrinhar, assim como a África e a América Latina, a força, toda poderosa, do domínio chinês, no futuro, dos mares… as águas vão ufanar-se de salgas e de presença da estrela vermelha desse país que está a alastrar os seus tentáculos. E os “jogos” da esfera cibernética e do ciberespaço vão dar-lhe um folgo mais apetecido…

É preciso vigiar e estarmos em alerta.