Coimbra  23 de Maio de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

O ADN do novo campeão

11 de Maio 2018

O Futebol Clube do Porto conquistou, contra todas as expectativas de início de época, o título n.º 28 de campeão nacional de futebol. Foi, acima de tudo, uma vitória do seu treinador e equipa técnica, made in Coimbra, que acreditou num punhado de jogadores e fez deles uma equipa à imagem do que foi o clube até 2013: raçuda, motivada, lutadora, antes quebrar do que torcer, sem dar um jogo por perdido – predicados que afirmaram o clube no panorama nacional e internacional.

Ao longo de mais de 30 jornadas – com excepção dos jogos com Paços de Ferreira, Aves e Belenenses – vimos uma equipa à imagem do seu treinador, antiga glória do clube como jogador. E foi por aí, pelo conhecimento da casa e dos fundamentos do clube, que Conceição começou a ganhar: a massa associativa reviu-se na sua atitude, uniu-se em torno da causa e, um mar azul como há muito não se via, começou a acompanhar os homens da luta pelos estádios do país, certos de que poderiam perder ou empatar, mas não iriam baixar os braços, disputando cada jogada como se fosse a última.

Jogo após jogo, a equipa conquistou os adeptos e desmoralizou adversários, superou com trabalho e dedicação os momentos complicados, em suma; fez-se campeã! E ainda mais campeã quando em pleno Estádio da Luz, o mal-amado Herrera, já depois da hora, selou um triunfo feliz mas decisivo, típico das equipas que procuram a sorte e alcançam a estrelinha.

SC teve ainda o mérito de se adaptar a uma nova realidade: conteve-se, adaptou-se à pressão de ser campeão, não explodiu como muitos vaticinavam, soube ser resiliente e conseguiu, conferência de imprensa atrás de conferência de imprensa, ganhar os mind-games, assumindo com mestria o jogo de sedução que a imprensa da especialidade gere e fomenta a soldo dos seus próprios interesses de mercado.

Um título que revelou um novo protagonista da causa azul e branca: Francisco J. Marques. O homem certo na altura certa, trouxe nova dinâmica à política de comunicação do clube com o exterior, que agradou sobremaneira aos simpatizantes do dragão, instalando o caos no arqui-inimigo SLB com a delicadíssima questão dos e-mails.

Claro que a tão falada estrutura do FCP teve os seus méritos, mas não tanto como noutros anos. De facto, não tinha grandes alternativas e o título acaba por ser uma espécie de jackpot: em face do investimento dos rivais, da intervenção da UEFA, do descrédito junto da massa associativa pela seca de 4 anos, do fim de ciclo anunciado desde que entregou todas as fichas a um tal de Lopetegui. Investir um milhão de euros num único jogador e conquistar o título de campeão nacional quando internamente se admitia o 2.º lugar como excelente…é obra, é histórico!

É também de assinalar uma conquista histórica na história da própria conquista, isto é: o FCP quebra a hegemonia do SLB com uma vitória no 1.º ano de VAR, silenciando muitos adeptos da verdade desportiva que olhavam para as novas tecnologias como o meio mais eficaz de destruírem o clube dito “da fruta”. Afinal, e segundo a Liga Real divulgada pela SIC-Noticias no programa “Tempo Extra”, o FCP ainda se pode queixar de vários penaltis não assinalados e menos 2 pontos subtraídos na tabela classificativa.

Assenta que nem uma luva este título ao FCP, facto reconhecido pela esmagadora maioria de protagonistas do mundo do futebol, incluindo analistas e especialistas de diversas áreas, independentemente da cor clubista. Ainda bem que assim é: honra ao mérito!

Saudemos o Campeão. O FCP ainda é uma nação!

(*) Historiador e investigador