Coimbra  20 de Novembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Nyusi: patavina nenhuma…

12 de Julho 2018

Não deixa de ser curioso e de bradar aos céus que, segundo as últimas notícias, cerca de 11 milhões de moçambicanos não sabem falar nem escrever português.

Este exorbitante número corresponde a qualquer coisa como 41 por cento da população. É aterrador e é preocupante. E a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) não questiona ? E os PALOP´s, a que Moçambique pertence, lavam as mãos?

Este cenário é perigoso para a unidade nacional, a do país, Moçambique. Ou não o será?

O actual Presidente da República, o sr. Filipe Nyusi, não terá percebido isso, ainda?

Se continuar esta “debandada” do português, a língua circulante em Moçambique, como expressão nacional, o país corre vários riscos.
A saber: pode facturar-se a meio, isto é, entre o Norte e o Sul; pode desunir o povo; pode despedaçar a Nação; e pode fragmentar partidariamente Moçambique.

E esta imagem transfigura uma situação mais gravosa, ou seja: o ensino, em Moçambique, é, e cada vez mais, deficiente. E podemos concluir que um dos sectores de maior importância para o desenvolvimento do país tem sido desguarnecido, tem sido esquecido e tem sido, na maioria da Nação, banalizado em qualidade. Que futuro para as novas gerações?

Esta insensibilidade do principal governante de Moçambique avaliar tamanha situação séria e de extrema acuidade, não pode caber na pasta política do Chefe de Estado Nyusi porque não lhe percebe as reais e efectivas consequências desastrosas para a agregação/unidade nacional. A soberania de Moçambqiue passa, e também, pela unificação da língua da pátria.

Moçambique pode experimentar, num horizonte muito próximo, uma divisão separatista das zonas a norte do chamado paralelo da Beira, nas áreas mais pobres e mais rurais.

Esta incapacidade de análise de um Presidente da República, do próprio partido do Governo e do Parlamento de Moçambique atesta a pouca sensibilidade para questões tão quentes e demasiado incidentes no futuro do país…

Esta falta de aposta na educação, mormente no ensino do português, vai criar clivagens na sociedade desse país do Índico. Escrevam o que aqui deixo dito.

É inconcebível esta falta de tacto político e social.

Muitos países, de que me abstenho de reflectir aqui os nomes, aguardam esta oportunidade e este bafo medíocre dos governantes e dos políticos, para assentarem arraiais. Dividir para reinar é a política de muitos…

F. Nyusi não percebe patavina nenhuma do que é ter um país, com dezenas de dialectos – um pomo de divisionismo e de incompreensões – unificado e unido pela língua, o português.

Não invertam a direcção deste verdadeiro “desastre” cultural e educacional e vão ver o que o destino, muito em breve, reservará a Moçambique.

Fica o toque, em termos de aviso, apesar de não ser vidente.

Há coisas que qualquer criança entende. Há coisas que, e não sendo moçambicano, qualquer cidadão estrangeiro, minimamente avisado percebe.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com