Coimbra  17 de Dezembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Lino Vinhal

Não estoirem com os Covões

4 de Dezembro 2017

A compatibilização entre os dois hospitais – HUC e Covões – de modo a operacionalizar uma unidade orgânica que acrescente valor à realidade que existia não tem sido fácil, não tem sido eficaz, não tem sido sadia nem elegante algumas vezes. Tem faltado uma orientação claramente assumida, transparente, clara, partilhada pela região e por todos os profissionais de saúde de ambas as unidades ainda existentes. Vive-se nos Covões um ambiente de desânimo evidente. As pessoas sentem, ou receiam, que o seu hospital é para fechar, mais tempo menos tempo. No mínimo, receiam que aos Covões estejam reservado um papel secundário, de recurso, sem ganho para a saúde em geral e para os utentes em particular.

Essa desmotivação, a manter-se, é um desperdício lamentável da enorme competência que aquela unidade sempre teve e ainda hoje conserva. Desperdício também de uma cultura de humanização e de carinho para com os doentes que ultrapassa em muito a normalidade de muitos outros hospitais distribuídos pelo país. Perder isso – a competência, a dedicação, o carinho, o lado humano na relação com o doente – é perder o melhor que a medicina reclama enquanto pilar fundamental da Ciência e da Vida.

Convidam-se, por isso, os diversos intervenientes e/ou protagonistas a melhorar estratégias, a rever competências, porventura a corrigir métodos e objectivos. E sobretudo que recusem ser os testas de ferro de alguns interesses que lidam mal com o Serviço Nacional de Saúde e que já salivam a imaginar ganhos fáceis com a medicina privada em Coimbra. Medicina privada que, sendo naturalmente legítima e necessária, não o será se puser em causa o Serviço Nacional de Saúde, seguramente uma das conquistas civilizacionais mais evidentes dos últimos 50 anos em Portugal. A parte menos favorecida da sociedade compreenderá facilmente a razão de ser desta afirmação.