Coimbra  20 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Paulo Leitão

Metrobus, ainda, perante tantas indefinições

14 de Fevereiro 2019

(*) Vereador do PSD na CMC

 

Desde a última reunião da Câmara Municipal de Coimbra realizada em Janeiro, fomos presenteados com diversos anúncios em ritmo acelerado de pré-campanha eleitoral.
Trata-se de um tique distintivo das governações socialistas, em que as obras não se fazem, prometem-se.
Finalmente, em véspera de eleições europeias e legislativas, é lançado o concurso para a empreitada entre Serpins e Alto de S. João. Confesso que, para Coimbra e para a região, trata-se de uma excelente notícia, dado ser muito inverosímil vir, no futuro, outro Governo socialista anular as obras que o actual lançou. Mas, como diz o povo: ver para quer.
No entanto, o lançamento desta empreitada, sem estar definido o modelo de exploração, a interligação e fusão com os SMTUC – Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra, a solução de interligação com a rede de comboios e o traçado da Linha dos Hospitais do Metrobus, vem comprovar a lógica eleitoralista do PS, dado que, sem estas definições, é impossível assegurar a coerência de todo o projecto. Isto equivale, a título de exemplo, a iniciarem-se a
construção das fundações de uma casa sem ter o respectivo projecto concluído, existindo apenas algumas vagas ideias.
Se não, questiono o Sr. presidente da CMC acerca do seguinte:
– Qual o modelo de exploração do Metrobus?
– O Governo central vai manter-se na sociedade MetroMondego como acionista principal?
– Qual o nível e valores de comparticipação financeira à exploração do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) que caberá ao Governo?
– Como será assegurada a interligação com os SMTUC? Quais serão as linhas dos Transportes Urbanos de Coimbra a suprimir?
– Mantém-se a previsão da fusão, ou junção, da MetroMondego e dos SMTUC? Em caso favorável, como é que se irá processar e qual o calendário previsto?
– Já se encontra concluído o estudo prévio do troço entre Alto de S. João e Coimbra-B?
– Em caso favorável, por que é que ainda não foi discutido, em reunião da CMC, e qual a solução para a interligação com a rede de comboios?
– Já se encontra concluído o estudo prévio para a Linha dos HUC? Quais são os traçados alternativos?
Assim, facilmente se verifica que, para além de ser imperativo o início das obras, é necessária uma ampla e alargada discussão sobre estas e outras questões importantes, de forma a permitir decisões que se revestem de carácter urgente e que tardam, sustentadas num debate que seja gerador e potenciador de consensos alargados, de que Coimbra e a região precisam.
Por outro lado, foi dada nota pública da intenção da Comunidade Intermunicipal (CIM) da criação de um bilhete único para a região de Coimbra, com uma lógica similar aos existentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Esta medida positiva, deverá ser acompanhada pela criação de um verdadeiro serviço de ferroviário urbano pela CP em Coimbra, não sendo possível perceber o porquê de o preço de um bilhete de comboio de Aveiro para Coimbra ser quase o dobro do valor para a viagem de Aveiro ao Porto.
Desta forma, conclui-se que o tarifário Coimbra-Aveiro deverá, igualmente, ser urbano e não regional.
Também as verbas inscritas em despacho dos secretários de Estado do Orçamento e da Mobilidade sobre o programa de apoio à redução tarifária nos transportes públicos parecem-me manifestamente insuficientes, dados os critérios utilizados, quando comparada com as verbas previstas para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Desta forma, questiono também o Sr. Presidente da CMC se já dispõe de dados que permitam avaliar o impacto desta na redução do tarifário dos SMTUC?