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Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Memórias e Inspirações – um livro de Eiras para o mundo

12 de Julho 2018
13 - OP Joao Pinho Livro

José Passeiro e Helena Freitas no auditório da Fundação Beatriz Santos

 

José Passeiro, natural de Eiras onde nasceu em 1961, e presidente da freguesia entre 2002 e 2009 lançou, na tarde do passado sábado, o seu primeiro livro de crónicas, com o sugestivo título de «Memórias e Inspirações».

O auditório da Fundação Beatriz Santos, em Lordemão, acolheu o evento, a que acorreram cerca de 50 pessoas, amigos, familiares e interessados. A apresentação da obra foi entregue ao redactor deste artigo, João Pinho, e à professora doutora Helena Freitas.

Ao debruçar-me sobre as 97 crónicas procurei enquadrá-las no tempo e no espaço. De facto, a maioria dos textos, vibrantes e cativantes de inspiração e recordatório parcial de uma vida, remontam aos anos 60/70 do séc. XX, focando, em especial, as fases da infância e adolescência do autor. Tempos iniciáticos em que descobrindo o mundo se descobria a ele próprio, com a força, brilho e cor, de um espírito de criança, aberto, inocentemente, a todas as experiências boas ou más.

É um livro de memórias e inspirações que vale a pena ler, nas linhas e entrelinhas. Os textos revelam-nos um cronista/memorialista com uma escrita elaborada e detalhada, descritiva e analítica, rica em adjectivos e substantivos. Uma narrativa assente em factos reais, como o autor confessou no uso da palavra, fazendo muitas vezes dos afectos e emoções vivenciadas – a saudade, essa palavra tão portuguesa – o fio condutor que capta a atenção de quem lê. Passeiro é, na escrita e no que ela me transmitiu um misto de realismo e existencialismo que vale a pena descobrir.

A obra encerra mais valias inestimáveis: locais, pessoas e sítios que fazem parte da história colectiva eirense, do microcosmos e mundivisão da freguesia; a infância vivida na escola, o contexto social e económico da época, menções a espaços de sociabilidade, figuras e tipos locais, festas e momentos especiais da comunidade, as brincadeiras da infância…

Helena Freitas, no uso da palavra, recordou, com emoção, a ligação antiga que a prende à mãe do autor, outrora funcionária no Jardim Botânico, salientando também a amizade, o respeito e a intervenção cívica por José Passeiro. Sobre o livro, considerou-o um «balanço e uma avaliação da nossa história e circunstâncias e um testamento da vida», bem como «a expressão de gratidão por todas aquelas pessoas que marcam a nossa vida e história».

Passeiro, a encerrar a sessão, recordou as vicissitudes do projecto: que há cinco meses não existia a ideia de publicar os seus textos, que ia divulgando quando podia na sua página de Facebook, mas que os incentivos e comentários que foi recebendo foram decisivos na decisão de avançar. Um livro onde procurou «recordar vivências, aventuras e emoções da 2.ª metade do séc. XX» e que o enche de satisfação: «O que posso querer mais se eu criei, eu senti, eu recordei»?

Em nome da defesa intransigente da memória colectiva, Passeiro deixou aos presentes o desafio de também publicarem as suas memórias, de não terem medo de escrever e de exporem as suas emoções.

Felicito vivamente o autor pela obra lançada e exprimo o desejo renovado de que seja apenas e só o primeiro de um conjunto mais alargado. Para memória futura!

(*) Historiador e investigador

 

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