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João Pinho

Médicos e sociedade em livro: História da Medicina em Portugal

15 de Dezembro 2017

No passado dia 09 de Novembro foi apresentado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, o livro «Médicos e Sociedade. Para uma História da Medicina em Portugal no séc. XX». Uma obra colectiva, reunindo em quase 900 páginas os contributos de 48 autores, editado pela «By the Book».

O livro, com prefácio de Henrique Leitão, historiador de Ciência da Universidade de Lisboa, foi coordenada por António Barros Veloso, especialista de Medicina Interna dos Hospitais Civis de Lisboa, a que se associou na qualidade de editor Luiz Damas Mora, médico e presidente da Comissão do Património Cultural do Centro Hospitalar de Lisboa Central.

A apresentação esteve a cargo de António Rendas, professor catedrático de Medicina, investigador e reitor cessante da Universidade Nova de Lisboa. A cerimónia contou ainda com a presença do bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, e do presidente do Conselho de Administração da José de Mello Saúde, Salvador de Mello, entidade que apoiou o lançamento do livro.

Na contra-capa da obra o texto elucida-nos sobre tudo aquilo que presidiu à concepção e concretização do projecto:

«Durante o século XX, os médicos foram um motor decisivo na transformação da sociedade portuguesa.

O seu papel foi determinante na protecção sanitária das populações, na luta contra as epidemias e no alargamento da assistência médica a todo o território.

Participaram na organização do ensino médico e da investigação, planearam e dirigiram hospitais, desenharam e propuseram campanhas de prevenção, ao mesmo tempo que importavam para o país as mais recentes aquisições da medicina moderna.

Aglutinados em poderosas instituições científicas e corporativas, afrontaram algumas vezes o poder político e, isoladamente ou em grupo, tiveram um papel destacado no derrube da Monarquia e na oposição ao Estado novo.

Ao mesmo tempo, alguns deles contribuíram para a cultura, em áreas tão diversas como as artes plásticas, a literatura e a arqueologia, em que deixaram obras de grande qualidade.

Este livro pretende dar uma ideia deste período de 100 anos, através de narrativas capazes de interessar não apenas os médicos como também os historiadores e o público em geral».

Coube-me a honra de ser o 22.º autor segundo a ordem estabelecida pelos critérios de edição e revisão da obra, com o texto «O cirurgião Bissaya-Barreto e a sua Obra Social», redigido propositadamente para este fim, de forma voluntária e graciosa. Fui, na verdade, um dos poucos representantes do meio académico e científico de Coimbra, onde também se destaca o dermatologista A. Poiares Baptista com o texto «Os caminhos da Dermatologia portuguesa no século XIX».

E se integrei este elite de autores, onde brilha o prestígio de vultos nacionais como o do neurocirurgião João Lobo Antunes ou do Director-Geral da Saúde, Francisco George, tal se deve, fundamentalmente, a dois homens grandes: por um lado, à amável indicação da minha pessoa pelo saudoso dr. Viriato Namora e, por outro, à persistência do dr. Barros Veloso, coordenador incansável de um gigantesco esforço.

Em tempo natalício não posso deixar de recomendar a aquisição desta obra pela mais valia de que se constituiu depositária. Um imenso repositório da História da Medicina Portuguesa, um arquivo de conhecimento, progresso e formação para memória presente e futura.

Estão de parabéns todos aqueles que a tornaram possível.

(*) Historiador e investigador