Coimbra  21 de Novembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Rui Avelar

Maternidade que tarda em ser “parida”

25 de Outubro 2018

Deputado do PS à Assembleia da República, João Gouveia advertiu, esta semana, que “urge decidir” a localização da anunciada maternidade destinada a substituir as existentes em Coimbra.

Trata-se de uma lúcida advertência e a ela não será alheio o facto de João Gouveia ter sido, durante 20 anos, o timoneiro da Câmara Municipal de Soure.

Duas décadas de liderança municipal, exercida fora de Coimbra, ajudaram a conferir ao actual parlamentar uma dimensão prática que não é de menosprezar.

Fernando Regateiro diz e reafirma que a futura maternidade deve ser implantada no polo de Celas do CHUC (instalações do atual hospital novo e dos antigos HUC), prometeu nem sequer esperar por dotação financeira específica para a edificação, mas, à moda de Coimbra, o debate ameaça eternizar-se e de forma estéril.

Isto sem embargo de considerar úteis os dois debates organizados por outros tantos movimentos cívicos – “Somos Coimbra” e “Cidadãos por Coimbra”, sendo que CpC é promotor de uma petição levada à Assembleia da República em prol da escolha de S. Martinho do Bispo para acolher a nova maternidade na expectativa de que isso ajude a dignificar o Hospital dos Covões.

De resto, no recente debate levado a cabo por CpC (vide a pág. 03), houve médicos a pôr «o dedo na ferida» da outrora unidade do antigo Centro Hospitalar de Coimbra (CHC), desaparecido devido à respectiva fusão com os HUC para criação do Centro Hospitalar Universitário.

Para Nuno Freitas, “a fusão tornou-se ingovernável” e isso vem contribuindo no sentido de prevalecer a indecisão acerca da escolha do local para edificação da anunciada maternidade.

Ao insurgir-se contra determinadas ambiguidades, António Rodrigues (outro médico) opinou que o chamado Hospital Geral (Covões) “não pode ser a despensa para aquilo que os [antigos] HUC não querem”.

Neste contexto, o anterior bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, preconizou que haja resposta para a pergunta que consiste em indagar sobre “o futuro para a Saúde em Coimbra”. “Não há, por exemplo, em Portugal, um hospital geriátrico” (para idosos), assinalou o ex-bastonário.

Para o parlamentar José Manuel Pureza (BE), que também interveio no evento promovido por CpC, tal como a deputada Fátima Ramos (PSD), há uma “estratégia de esvaziamento” do Hospital dos Covões, mas ele continua a possuir prerrogativas para servir de âncora à implantação da nova maternidade.

Diz-se que o Hospital Geral não reúne condições para aquele efeito, assinalou o deputado do Bloco de Esquerda, em cujo ponto de vista isso não corresponde à verdade. Se, hipoteticamente, for verdade o que se diz, Pureza pergunta, então, se se trata de “uma inevitabilidade”.

Urge que haja resposta, a cargo de quem souber dá-la e puder ser consequente. Razão por que entra na «equação» a nova ministra da Saúde, Marta Temido, natural de Coimbra. Já agora, que seja resolvida a localização da nova maternidade e salvo o Hospital dos Covões.

 

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