Coimbra  22 de Setembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Importam-se de responder sossegadamente (IRS)…

6 de Abril 2018

Os portugueses são conhecidos por deixarem tudo para a última hora – pagamentos, inscrições, compras, qualificações desportivas, resolução de problemas –, pelo que a pressa em efectuar a entrega do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), logo no primeiro dia do prazo, o “dia das mentiras” (01 de Abril), tornou-se notícia.

No espaço temporal de apenas um dia e meio foram entregues quase meio milhão de declarações de IRS, com metade a aproveitar a modalidade automática, acreditando cegamente nos euros que a Autoridade Tributária e Aduaneira tem inscrito nos dados do contribuinte.

Esta inesperada afluência inicial (mais 20 por cento do que em 2017) , que apenas se costuma verificar nos últimos dias do prazo, apanhou de surpresa o Portal das Finanças, que registou perturbações – leia-se: não se conseguia aceder à página do preenchimento.

São cerca de cinco milhões os agregados familiares que têm de cumprir esta obrigação fiscal e com o alargamento do IRS Automático aos cidadãos com filhos e com a promessa de haver um reembolso mais rápido (em cerca de 12 dias), por causa desta medida de simplificação, os contribuintes desataram a correr para o computador.

Com tanta pressa em receber, sem que as Finanças estivessem a contar, vamos ver se o ministro Mário Centeno tem os cofres do Tesouro suficientemente atestados para poder cumprir o prazo do reembolso.

Muitos dos que esperam receber rapidamente “dinheiro fresco” vão ficar a “penar”, enquanto as Finanças podem ficar a “ganhar”. Como diz a sabedoria popular, “a pressa é má conselheira”.

“Não se precipitem” – dizem os especialistas, alertando para o facto de a aplicação do IRS ter erros que demoram cerca de 15 dias a ser corrigidos e, com a forma automática, o contribuinte é levado a não verificar bem as quantias inscritas, pelo que pode receber menos euros.