Coimbra  21 de Novembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Manuel Silva

Grandes Opções do Plano da Câmara Municipal de Coimbra

8 de Novembro 2018

Se pedirmos às pessoas de Coimbra para nomearem um projecto estruturante que esteja em curso no concelho, ninguém consegue citar um único.

Não nos referimos a obras de gestão corrente ou de arranjo de estruturas degradadas, com muitos anos de atraso, como o Parque Verde ou os muros do rio Mondego. São obras obrigatórias, que qualquer executivo da Câmara teria de fazer.

Perguntamos, sim, por obras ou projectos que mudem a cidade e o concelho, que o preparem para o futuro e que promovam o seu desenvolvimento, como o Metro Mondego/Metrobus, um grande e moderno Hospital Geriátrico (Coimbra é um concelho envelhecido e o país não tem respostas adequadas para os idosos), uma funcional estação intermodal no lugar da Estação Velha, a deslocalização da Penitenciária para fora do perímetro urbano e usufruição do seu espaço, a melhoria dos parques industriais e atracção de grandes investimentos, o aproveitamento do Mondego, a requalificação do aeródromo de Bissaya Barreto num aeródromo de qualidade internacional (capaz de receber os voos das linhas internas e outros), a transformação de Coimbra numa smart city, a requalificação da “Baixa” e da rua da Sofia, etc., etc…

A reserva de uns míseros 500 000 euros para a candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura / 2027, com outro tanto para 2020 e ainda menos para 2021, sem a definição de qualquer valor indicativo para o orçamento desta candidatura, vital para o futuro de Coimbra, mostra como a CMC não está empenhada no seu êxito.

A inexistência de qualquer rubrica relativa ao Metrobus e a desistência do túnel de Celas, quando este deveria ser um projecto prioritário para Coimbra, vêm, mais uma vez, confirmar o descrédito desta Câmara e do Metrobus.

A transferência para as Juntas de Freguesias de apenas quatro por cento do orçamento total da CMC, um montante ridículo, mesmo com o reforço de um milhão de euros (adicionado sob forte pressão), é intolerável!

É curioso como a Assembleia Municipal rejeitou uma proposta do “Somos Coimbra”, que exigia um crescimento para seis por cento das transferências para as Juntas, mas aprovou uma moção que propunha que essa transferência fosse, no mínimo e no imediato, de 10 por cento do orçamento da Câmara! Estranhar-se-á que os deputados e presidentes de Junta do PS e do PCP que votaram a favor desta moção possam, agora, aprovar um orçamento em que esta transferência é apenas de quatro por cento, prejudicando gravemente as Juntas!

É caricata a existência de muitas dezenas de itens com apenas 10 euros de verba atribuída, que vão transitando de ano para ano, sem nunca serem realizados.

A verdade é que nada de realmente estruturante está previsto nas Grandes Opções do Plano da Câmara para 2019 e, comparando com 2018, o respectivo orçamento sofre um corte de seis por cento, que a redução do IMI não justifica.

Face a um orçamento desta natureza, sem visão e sem estratégia, é evidente que só podíamos votar contra. Sublinhe-se que a oposição tem apresentado dezenas de propostas, todas rejeitadas pela maioria PS-PCP que governa a Câmara.

Exigia-se muito mais para um Município que já foi o terceiro do país, que perdeu, nos últimos anos, 45 por cento dos jovens residentes entre os 20-34 anos, que o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses coloca num triste 11.º lugar e que em população residente já é só o 19.º concelho do país!

Para onde vais, Coimbra?

(*) Vereador sem pelouro do movimento “Somos Coimbra”

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com