Coimbra  20 de Abril de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Paula Pêgo

Falta política para promover o transporte público em Coimbra

10 de Abril 2018

No passado dia 23 de Março de 2018 assistimos com perplexidade e tristeza à realização de um plenário de trabalhadores dos SMTUC, mais propriamente de agentes únicos de transportes colectivos, à porta das instalações sitas na Guarda Inglesa e à chuva….!

Aconteceu, na cidade de Coimbra, com os trabalhadores do Município!

Independentemente dos argumentos e contra argumentos invocados para sustentar a legalidade ou ilegalidade da convocatória do plenário, importa saber quais as razões subjacentes à referida convocatória.

Sem prejuízo das razões que se prendem, nomeadamente com as escalas de serviço devendo ser encontrada uma solução de compromisso entre o Conselho de Administração e os trabalhadores, por forma a não por causa a prestação do serviço público de transporte de passageiros, por um lado, e a melhor compatibilizar a vida familiar com a vida profissional, por outro;

A razão principal prende-se com a justa criação da carreira de agente único de transportes colectivos à semelhança dos trabalhadores da Carris-Lisboa e dos STCP-Porto, pois por força do disposto na Lei n.º 12-A/2008 de 27 de Fevereiro, estes trabalhadores transitaram para a carreia geral de assistente operacional.

Senhores vereadores e membros do Conselho de Administração, o caminho não se faz com conflitualidade social, nem com o exercício musculado do efémero poder, mas com acções concretas para a resolução dos problemas das pessoas que em cada momento se nos deparam.

Por outro lado, não se pretenda fazer de uma questão de Justiça uma luta político partidária, imputando ora a uns, ora a outros, a maior ou menor legitimidade na defesa dos direitos dos trabalhadores.

Pois, no caso concreto, todos nós, defendemos aqui nesta Câmara e na Comissão de Trabalho e Segurança Social da Assembleia da República, de viva voz, a criação da carreira de agente único de transportes colectivos de passageiros.

É uma questão de Justiça e não de “cunhas”!

Honremos pois, o nosso compromisso e tenhamos a humildade de dizer aos motoristas dos SMTUC que ainda não conseguimos resolver a questão da carreira, mas que continuamos empenhados e determinados na sua resolução.

O caminho faz-se com acções!

Relatório de Gestão 2017 – SMTUC

No que concerne ao indicador da procura verificou-se a manutenção da tendência de perda de passageiros (validações no sistema de bilhética) de – 239 000 passageiros em relação ao ano de 2016, ou seja, em 2016 foram transportados 12 935 e em 2017 foram transportados 12 696 (- 239 000 passageiros).

Tal significa que, não existe uma política pública definida de promoção da utilização do transporte público colectivo com vista à obtenção de ganhos ambientais e na qualidade de vida das pessoas que habitam, trabalhar ou visitam Coimbra.

No que concerne ao indicador da receita verificou-se um aumento proveniente dos passes sociais e um aumento do bilhete de motorista (cujo preço é de 1,60) em detrimento dos bilhetes pré-comprados que diminuíram.

É pouco racional, o aumento do bilhete de agente único, mas é um facto que deverá ser objeto de análise e certamente o será!

Este indicador, diz-nos que efectivamente as pessoas compram o bilhete de motorista quando têm uma necessidade pontual em se deslocar de autocarro e não de uma forma planeada e programa no uso do transporte público no seu dia-a-dia, ou seja, há cada vez mais utentes a utilizar o transporte público de forma aleatória e esporádica e não de forma regular.

O aumento da receita dos passes sociais também não se traduziu num aumento de passageiros transportados.

No que concerne ao indicador da idade média da frota – em 2016 cerca de 16 anos e em 2017 de 15,77 -, apesar de uma ligeira diminuição resultante da aquisição de novos autocarros ainda continua muito elevada.

No que concerne ao indicador taxa de imobilização, apesar do ligeiro decréscimo global da taxa de imobilização de 17,6 por cento em 2016, para 15,9 por cento em 2017, registou-se um aumento da taxa de imobilização dos autocarros, a saber: passou de 12 por cento para 14 por cento, o que é muito elevado.

Em jeito de conclusão, podemos afirmar que o aumento da receita não se traduziu num efectivo aumento da procura no uso do transporte público, pois verificou-se uma perda de 239 000 passageiros transportados.

Tal significa, que não existe uma política pública definida e implementada com vista a promover o uso do transporte público na cidade de Coimbra.

A mobilidade de uma cidade moderna do séc. XXI tem de ser obrigatoriamente colectiva!

(*) Vereadora do PSD na CMC