Coimbra  17 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Duro golpe de amigo… e numa curva

9 de Julho 2018

As surpresas da vida são tantas e caem, aos nossos pés, quando menos estamos à espera.

Na passada semana, no dia da nossa cidade de Coimbra e da sua padroeira, já para o final da tarde recebi, por banda de um dos irmãos, o Jópê, a notícia que jamais esperaria e queria receber: “estou nos HUC…”. Atalhei para saber o que se passava com ele porque o sei doente. Respondeu-me: “não, nada disso, foi o meu irmão, o Tó Palhoto. Teve um problema grave e está a ser operado”.

Deixei tudo para trás. Apenas liguei a dois amigos e, em sinal de súplica, acendi uma vela aos meus Santos protectores, aos que estimo, depois de ter recebido da minha saudosa mãe as principais notas de vida deste e daquele. Fiquei ligado à Sra. de Fátima, à nossa Rainha Santa Isabel, a S. Francisco e a St.º António e, também, a N.ª Sr.ª da Conceição e a St.ª Teresinha. Os seus traços e exemplos de vida, depois de ler os seus actos e atitudes, deixaram-me apelo a que por eles(as) tivesse fé.

Espavorido empreendi a viagem até Coimbra. No corredor do bloco operatório, quando cheguei, para além dos dois irmãos (acrescento o Ruca), estava mais uma dúzia de amigos e de amigas, os de um passado do tempo dos calções, os da juventude e os do estudo e, também, os da profissão.

Trocavam-se abraços e beijos. Num canto havia quem não contivesse as lágrimas. Noutro alinhavam-se contactos para informar mais este e aquela. Além contava-se o sucedido.

Passado tempo, talvez mais de uma hora, veio um médico dizer que a operação tivera terminado e que tinham feito o que a situação – grave – recomendava para esses casos: “save the life”. Seguiria para uma unidade de cuidados da neurocirurgia e as 72 horas sequentes iriam ser decisivas. Posso adiantar que tem vindo a arribar. Mas tudo, como sabemos, é efémero na dimensão corporal/vida.

O golpe era duro. E todos havíamos sido apanhados numa das curvas dos caminhos das nossas vidas.

O nosso Tó Palhoto, um médico reconhecido em Coimbra por muita gente, estimado por muitos amigos, amado por centenas e centenas de doentes que sabe ouvir, um profissional preocupado e que se entregou à causa da medicina e um cidadão de uma compostura humana das mais exemplares, estava entre a vida e a morte.

Estes últimos dias têm sido muito inquientantes, muito desconfortáveis, muito ansiosos e muito sem jeito para todos os do seu círculo de amizades e de vida.

Mas tenho-os vivido em fé, transmitindo-a, através de uma das redes sociais, para todos os que o conhecem e são da sua redoma de amigos, pedindo que supliquem, que façam as suas preces e transmitam as suas energias positivas para que o nosso Tó Palhoto seja capaz de vencer esta adversidade da sua vida.

Em casa, como referi, tenho uma espécie de altar dos meus santos. Tenho-os todos, os que mais estimo, iluminados com velas de cera.
Agora, faz cinco dias, desde que o nosso Tó Palhoto teve um problema de saúde, não mais deixei que a minha Santa Isabel, como os(as) outros(as) que venero, ficassem na escuridão das trevas.
Quero-a, bem como as outras imagens, alumiadas pela luz do mundo.
A chama representa a vida. A chama ilumina as nossas almas. A chama crepita como se pudesse dar sinal de que as nossas orações sobem com ela. A chama projecta-se no além. A chama é percorrida por cores que personificam as nossas passagens terrenas. A chama é um traço da nossa visão, porque sem luz não conseguimos ver. A chama é a candeia que nos abre a visão para prosseguirmos o caminho…
Estas velas que tenho acendido, sem deixar que haja tréguas de luz, são os elos da nossa ligação amiga ao nosso Tó Palhoto.
Entre uma vela acesa, um pedido entreposto a uma oração, um pensamento positivo, uma prece das que nos ensinaram, um olhar aos céus, uma súplica, um rogo e uma palavra que o nosso espírito emana, lá vou sacudindo esta pressão destes dias de preocupação. Mas dias que têm sido de fé e de acreditar que tudo é possível.
Às vezes, incrédulos, surge a reviravolta. Os amigos, todos, têm sido inestimáveis nesta hora de aflição, mas de esperança.

Quero acreditar que este amigo, de peito e de muitas ocasiões da vida, seja forte e robusto espiritualmente, para se reerguer desta surpresa do seu caminhar terreno.

Eu e todos os muitos amigos, e têm sido dezenas e dezenas os que se manifestam a respeito dos meus ‘posts’ na ‘net’, temos fé e esperança de que se vai operar um milagre. Não é fácil, mas quero sonhar que é possível. Já o nosso Papa Francisco tem vindo a reflectir, ele que é considerado o Mestre da Humanidade, numa mensagem de uma força mobilizadora: “Deus quer que saibamos sonhar…”. Porque o nosso Alto quer que, e por essa via e dessa forma, sejamos felizes. Mas não comandamos a vida, é certo, mas podemos mudá-la, a maioria das vezes. Querendo e acreditando – quem sabe – talvez a montanha se mova…

 

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