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Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Comandante do Exército brasileiro sem papas na língua

28 de Maio 2018

Não chegam a Portugal, infelizmente, os ecos de uma entrevista que o comandante do Exército do Brasil proferiu num programa de uma cadeia de televisão.

O general Eduardo Villas Bôas não se resguardou atrás de nenhum canhão, óbus, carro de combate ou empunhando qualquer espingarda metralhadora. Falou de peito feito. Não se entrincheirou. Não deixou de dizer o que lhe corria no sangue de militar e de brasileiro. Consciente e cívico.

Dizendo não poder haver mais conversa para com os que apelidou de criminosos manifestou:” os que tomaram o aparelho da Nação têm de ser banidos”.

E não poupando: ”Não merecem nada. O Brasil é uma Pátria. Não é e nem pode ser uma terra de bandoleiros”.

O responsável máximo pelas forças terrestres do Brasil posicionou-se crítico e severo ao referenciar que “os três poderes nacionais estão carcomidos”.

Para Eduardo Villas Bôas não pode existir “diálogo com bandidos” e/ou do que chamou de “traidores da Pátria”, sublinhado que “quem nos governa é corrupto”.

O mesmo general não escondeu nomes: ”O Lula estatelou-se em S. Bernardo do Campo, enquanto Temer mandou alguém passear-se com malas de dinheiro”.

Nomeando a Justiça como vergonhosa, vivamente exaltado nas suas declarações, disse que um país com 205 milhões de habitantes, em que a maioria é pobre, precisa de coragem. Não pode – deixou claro – “um Estado de Direito, como o brasileiro, defender criminosos e corruptos”.

Para este general chega de “papo furado” e soou a hora da mudança.

Nomeando os advogados, a maioria, como bilionários e corruptos, Eduardo Villas Bôas concluiu:” temos que construir uma República a sério”.

Estes recados já estão a ter repercussões no Brasil. Pena que a nossa comunicação social não faça eco destas palavras, num tempo de muita complicação de vida para esse país e para os brasileiros.

Infelizmente, os políticos lá, cá e noutros lugares fazem do povo “gato sapato”, desmerecem-se, desrespeitam-se e estão corrompidos para nossa infelicidade.

O Brasil está no lodo, consequência de os poderes principais, onde se aboboraram o político e o judicial, se terem despedaçado em negociatas, em vigarices, em despautérios de engrenagens de desvios e benefícios, em armadilhas palacianas e em muitos contornos que têm apodrecido a vida de milhões de pessoas.

O Brasil está mergulhado numa história manhosa, cujos actores são os políticos, os governantes, os poderosos, alguns juízes, muitos empresários e alguns serventes dos poderes.

Nós, e por cá, também vamos tendo políticos que, por artes e actos, se têm servido do poder, aparecendo – sempre – muito cândidos a dizer que estão inocentes, que desconheciam as leis e que tinham sido, mas já não o são, donos disto e daquilo… Acumulando lugares na privada e funções na pública.

A linguagem da verdade custa, aliás, é como os espinhos. A linguagem da verdade custa a ser escutada, mas vai alertando a turma de inebriantes que corre atrás de bandeiras, de discursos ocos e de promessas vãs.

O que queremos cá e lá é que a democracia funcione, seja para todos, conceda felicidade ao povo, faça funcionar as Instituições e consiga criar desenvolvimento sustentado para o nosso futuro colectivo. Queremos mais Portugal e menos corrupção. Queremos mais justiça sem diferenciar pobres e ricos. Queremos a aplicação do direito. Queremos um Estado justo e sério. Queremos um Estado reconhecido como pessoa de bem. Queremos políticos que nos sirvam. Queremos gestão da “coisa pública” com rigor.

Não queremos traidores, mas queremos gente honesta e que saiba pontificar a ética e a deontologia no cargo público em que foi investido.

Torcemos para que o Brasil não venha a ser intervencionado pelos militares…