Coimbra  17 de Dezembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Victor Baptista

Coimbra: Perpetue-se o nome de Santos Cardoso

9 de Julho 2018

Há mais de um mês, morreu João Santos Cardoso. Mais vale tarde do que nunca para lhe prestar uma derradeira homenagem enquanto cidadão, político e administrador hospitalar.

É meu dever testemunhar respeito a quem admirava e com quem trabalhei na Câmara Municipal de Coimbra. Tratava-se de um político tranquilo e convicto na defesa das causas e valores por que se bateu. Um comunista que, pelo exemplo, muito prestigiou a política e o PCP.

Foi uma partida inesperada, dado que parecia estar em boa forma a avaliar pela qualidade da constante intervenção nas redes sociais e dos encontros casuísticos, junto ao “Café Trianon”, com troca de impressões sobre a situação da política local e nacional.

Santos Cardoso, para além de ser um homem assertivo e correcto, era também um homem justo. Recordo-me da segunda eleição de António Moreira (PSD) para presidente da CMC (1985), ocasião em que o antigo gestor hospitalar assumiu o pelouro da Administração, na altura chefiava eu os Serviços de Contabilidade, proveniente de Lagos, a convite de Manuel Machado.

Conhecedor da minha filiação partidária (PS), Santos Cardoso não só me manteve no posto de chefia como, quando precisei de sair da Câmara, por motivos familiares, me informou que estavam a preparar uma reestruturação orgânica para criação do cargo de director e que contava comigo. Estou certo que outros não o fariam.

Há dias, num encontro pessoal com o ex-ministro Correia de Campos falámos de saúde, do SNS e de Santos Cardoso. E constatei o respeito que o antigo governante possuía pelo extinto. Referenciou Correia de Campos que ele tinha sido um dos alunos do primeiro curso de administradores hospitalares a serem formados na Escola Nacional de Saúde Pública e Medicina Tropical e os diversos desafios e cargos que foi exercendo, sempre de forma exemplar, com particular destaque no Hospital Pediátrico de Coimbra.

Santos Cardoso foi sempre um acérrimo defensor do Serviço Nacional de Saúde (troquei impressões com ele e referi a falta de elasticidade dos recursos, se não deveríamos ponderar outras formas de financiamento, foi sempre muito seguro no caminho que o SNS deveria seguir; já não está cá para comprovar o seu futuro, a curto prazo, isto apesar das profissões de fé dos políticos com responsabilidade actual).

Tratou-se de um autarca respeitado e humilde. Com mais esta partida, em cada dia, o deserto se vai alargando mais.

Não tenho funções autárquicas, mas não posso deixar de realçar que Santos Cardoso, pelo seu exemplo de vida e pelo serviço que prestou à humanidade, bem merece ser eternizado na toponímia da cidade. Ainda que tarde, aproveito para apresentar os meus sentidos pêsames à família enlutada.

(*) Economista

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