Coimbra  23 de Maio de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Marinho

Coimbra: Acrescente-se o que a pode melhorar

11 de Maio 2018

Não vivo a angústia dos que insistentemente se interrogam sobre o futuro de Coimbra. Nem dos que saudosamente louvam o seu passado. Porque tenho a certeza comum de que o futuro sempre supera o presente.

Não se trata de outra coisa que não seja acreditar na razão e no conhecimento, na liberdade e na autodeterminação individual e colectiva. E tudo isso, sempre se combina para superar as contingências e os riscos, com que o tempo nos desafia inelutavelmente.

Gosto da cidade que escolhi para viver sem a comparar com outra qualquer, satisfeito com o que ela me dá, na sua diferença identitária. Não quer isto dizer que Coimbra seja o melhor dos mundos e que nos bastemos com a realidade. Mas não sonhemos paradigmas urbanos que não cabem na sua identidade.

Aproveitemos o que Coimbra tem e acrescentemos o que a pode melhorar. Desde logo a Universidade. Que é o seu grande capital e a sua primeira razão de ser. Deverá ser o primeiro factor do desenvolvimento urbano. Porque produtora de conhecimento tem de atrair cada vez mais estudantes e valorizar os seus cursos e professores. E a cidade tem de se adaptar a essa potencialidade.

A modernidade científica e tecnológica impõe uma modernidade cultural e urbana. À universidade nova corresponde a cidade nova. O que implica uma instância de consulta e diálogo estruturado que ainda não existe, entre o poder universitário e o poder municipal.

A segunda dimensão do desenvolvimento de Coimbra tem a ver com a sua mais-valia na Saúde. A modernidade das estruturas e dos serviços tem de atrair profissionais nacionais e estrangeiros à procura da formação e especialização. Os simpósios,colóquios e convenções divulgam autoridade e conhecimento, trazem prestígio e fixam a cidade no roteiro das ciências da vida. Trata-se de acrescentar valor ao que aqui já se faz bem.

Finalmente,é indispensável aproveitar a centralidade geográfica do nosso concelho, como base logística de transporte e comércio nacional e internacional. Aí, a cidade tem um longo caminho a percorrer, que só avançará com fortes investimentos na mobilidade, implicando o Governo central e apoios europeus.

Deixo para o fim o turismo cultural, por ser tão óbvia a vocação de Coimbra. Mas é matéria mais falada que resolvida. E Coimbra tem de enfrentar este desafio de forma própria, sem se dissolver na burocracia regional que já mostrou o pouco que pode fazer.

A Coimbra falta alguma coisa? Falta. Gente!

(*) – Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra

[Artigo publicado na edição de aniversário]