Coimbra  17 de Outubro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

CMC: As eleições e as obras

18 de Abril 2017

Há engarrafamentos e mais engarrafamentos em muitos lugares de Coimbra. Ponto. Há obras e mais obras nas nossas ruas. Ponto.

Há apoios e mais apoios da Câmara Municipal a tudo «que mexe». Ponto.

A Feira Popular vai ser à borla, quando, nos anos anteriores, este executivo municipal cerrou fileiras para negar um legítimo apoio à mesma organização deste mesmo evento. Ponto. Em Outubro próximo há eleições para as autarquias. Ponto.

Dizer algo que seja o contrário da percepção que as pessoas têm de meter tudo isto no mesmo saco ultrapassa os limites do razoável e é um atentado à normal inteligência das pessoas.

Estamos a viver mais do mesmo, dir-me-ão com justiça. Mas, desta vez, há coisas extraordinárias: chegar a 2017 com 20 milhões de euros “na conta” é obra! E, como não podia deixar de ser, é para obras. A maior parte delas estéticas e não urgentes, numa cidade que tem sempre de querer mais e mais.

Mas está nos manuais de como ser eleito, editado em 1980, que fazer obras só em ano de eleições, é para mostrar serviço.

Com este truque, pode-se estar durante um triénio sem fazer muito para concentrar tudo no último ano. Mas são truques velhos, que não resultam no século XXI. Só quem olha para as cidades a curto prazo pensa que o que as pessoas querem não são empregos, são rotundas e fontes.

Por isso, os eleitores já não caem neste «mais do mesmo». Basta olhar para a anemia que invadiu tantas áreas desta governação do Município de Coimbra e perguntar: o que é melhor para a cidade?

Tirar dinheiro às pessoas em impostos para termos passeios bonitos, com calçada à portuguesa, para mostrar serviço? Ou pensar a longo prazo e apostar nas pessoas, melhorando as suas condições económicas e, com isso, as suas vidas?

Para quem acha que uma cidade se faz de obras de cosmética, que não dão emprego, o caminho que está a ser seguido é perfeito. Para quem acha que uma cidade não se faz de fontanários, mas de ideias, energia e soluções em políticas públicas inovadoras, daquelas que entusiasmam os munícipes, porque lhes dão emprego, então o caminho que está a ser seguido é o errado.

Por isso, tudo isto é muito simples: se acham que se deve gastar os 20 milhões de euros em obras na cidade como as que estão a ser feitas, o candidato é um. Se acham que Coimbra merece mais “lebre do que gato”, o candidato é outro.

Nunca foi tão simples escolher. Porque fazer obras no último ano é, sempre, remendar o que não foi feito nos anos anteriores. E devia.

Portanto, perante as opções políticas, como esta de guardar no colchão 20 milhões de euros, para as «necessidades» dos tempos eleitorais, não pode haver opiniões neutras e muito menos leituras politicamente «higienizadas».

Factos são factos.

(*) Vereador do PSD na CMC