Coimbra  19 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

José Belo

CMC: As eleições, a cidade e o estacionamento

11 de Maio 2017

Na zona «metropolitana» de Coimbra (ela não existe, mas tem de passar a ser um desafio a vencer), há dezenas de milhar de pessoas a intervir diariamente em movimentos pendulares.

São muitos os cidadãos que, quotidianamente, entram e saem de Coimbra para trabalhar e regressar às suas casas.

Ora, os movimentos populacionais associados à mudança de residência, ou à mobilidade pendular diária, têm os seus contornos geográficos cada vez mais distantes. A realidade é que, em grande número, essas pessoas utilizam as respectivas viaturas para cumprirem tal rotina diária.

Mas os custos do uso e abuso da circulação automóvel são penalizantes para as cidades em termos de degradação da qualidade de vida, quer pelas consequências da intensidade do tráfego urbano, quer pelas dificuldades de estacionamento.

Tudo isto mexe com a qualidade de vida da cidade, porque não vai ser fácil mudar mentalidades devido a múltiplas razões e possibilidades que o uso do automóvel oferece: flexibilizar horários, escolher as acessibilidades, ganhar tempo nas deslocações, tudo associado a uma efectiva autonomia e liberdade na gestão da relação do espaço familiar com o espaço profissional.

Não sei, com rigor, quantas viaturas há registadas em Coimbra, mas sei que os lugares de estacionamento destinados ao público são em número abissalmente inferiores ao do volume de veículos em circulação.

Com esta constatação, não é difícil antecipar os problemas que daí resultam em perdas de tempo, de saúde e até económicos, constituindo um grave feixe de preocupações para os utilizadores do espaço público.

Resulta clara, portanto, a inadiável necessidade de harmonizar a relação entre a mobilidade dos transportes públicos e colectivos, o uso das viaturas individuais e os espaços destinados ao estacionamento, de modo a encontrar respostas positivas aos fluxos de tráfego existentes na cidade.

Tudo isto a pensar nas pessoas, nos seus «bolsos» e até na mais-valia, em termos de produtividade, que pode significar para as empresas públicas ou privadas onde trabalhem.

Em Coimbra, portanto, a questão do estacionamento existe e é preocupante.

É preciso, por isso, não subvalorizar este tema, porque há, manifestamente, níveis de saturação na oferta, criando-se problemas do arco da velha a quem quer estacionar em alguns lugares da cidade.

Basta alguém ter de ir à «Baixa» ou à «Alta», à avenida de Fernão de Magalhães / Casa do Sal, ou ao Polo II da Universidade, sem esquecer a rua do Brasil, ou a avenida de Sá da Bandeira, a praça da República ou o CHUC para sentir o drama inerente a arranjar um espaço para pôr o carro, em largos períodos do dia.

Daí resultam muitos problemas, para os quais é preciso encontrar soluções, que influenciem a decisão da escolha de um determinado meio de transporte na cidade, criando hábitos mais eficientes e defensores da qualidade de vida dos cidadãos.

A fragilidade das actuais respostas reclama saltos qualitativos nesta área, através da «invenção» de espaços, de medidas organizativas e de gestão da mobilidade na área urbana, que facilitem a vida aos cidadãos, sem o recurso fácil ás multas, que, muitas vezes, são desproporcionadas face ao contexto da infracção, onde a CMC deve entrar na equação, na medida dos constrangimentos existentes na oferta (ou falta dela) do estacionamento, que disponibiliza para o efeito.

Olhando para Coimbra e para a geografia da mobilidade urbana, sente-se que os problemas se agudizaram, nos últimos anos, apesar do esforço que se fez de modernização da frota dos SMTUC e da qualidade global dos seus recursos humanos, que são excelentes em termos de entrega e compreensão da dimensão social inerente aos Serviços Municipalizados.

Porque, quer se queira quer não, o uso do automóvel continua na primeira linha como opção preferencial nas deslocações para o trabalho ou no lazer, mesmo quando a sua utilização responde apenas a necessidades do próprio condutor da viatura.

Trata-se de um verdadeiro e inadiável desafio para todos os que possuem a obrigação de concretizar, nesta área, projectos sustentáveis e promotores de uma melhor vida para quem aqui vive, trabalha ou nos visita.

Isto significa ter de se pôr, no mandato do próximo executivo da Câmara de Coimbra, como uma das prioridades de acção política, a questão do estacionamento e suas implicações, sobretudo ambientais, que este executivo municipal, até agora, não soube agarrar, reforçando a ideia de cada vez mais munícipes de que não há, neste particular, obra em Coimbra para o futuro…

É a minha percepção face ao que vejo ouço.

 

Vereador do PSD na CMC