Coimbra  26 de Setembro de 2018 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

Caso Sporting: Falha complicada do sistema…

16 de Maio 2018

Este caso de invasão do Centro de Estágio de Alcochete, pertença do Sporting Clube de Portugal/SCP, com todas as peripécias ou clima de “terrorismo”, de vandalismo, de sevícias a jogadores, de intrusão, de assalto, de atitudes de manietar terceiros, de atentado à integridade física e de outros crimes, não se compagina com uma sociedade que deve ter como prática comum a cidadania.

Meia centena de arruaceiros, gente nova, e sem qualquer dificuldade, entraram por ali dentro, para espalhar o medo e espancar quem bem quiseram. Antes, e à entrada deixaram um cartão de visita aos representantes da comunicação social, intimidando-os.

Esta malta sem o mínimo de civismo e sem ponta de educação social, pessoal e desportiva, são aqueles que vão contaminando o desporto, especialmente o futebol, deixando-lhe marcas de vergonha e de indecente e má figura.

Mas será isto possível num Estado que se pretende de Direito?

Depois de todas as histórias que já vinham de trás, em que algumas foram protagonizadas pelo próprio presidente da Direcção do SCP, que entrou em litígio com os jogadores, com o treinador, com a massa associativa e com toda a gente, mesmo a externa ao clube, não seria de prever alguma explosão deste género?

Depois da derrota na Madeira, ocorrendo casos de perseguição, de bocas dirigidas ao plantel, ao grupo de treino e à Direcção do mesmo clube, não seria de esperar que algo de anormal se pudesse vir a passar?

Depois de tanta confusão dentro do SCP, das dificuldades financeiras, dos diálogos de baixo nível com troca de emails entre uns e outros, os que devem ter tino e têm de ter um comportamento desportivo do mais alto nível e que seja exemplar, não seria de aguardar um caos deste volume e tamanho, nas barbas do clube de Alvalade?

O que anda a fazer a PSP, a qual deve buscar informações suficientes, nas suas brigadas de investigação, que possa precaver casos desta envergadura e com as tremendas consequências para a imagem do futebol nacional, aqui e além fronteiras?

O que anda a fazer o nosso serviço de informações para não rastrear grupelhos deste tipo que, e apenas uma molhada de meia centena, arrasam tudo e dão mostras da sua raiva?

Não deixa de ser estranho e de nos colocar, como cidadãos, apreensivos. O nosso PR mostra-se envergonhado.

“Neste momento tenho o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem que se propaga em Portugal e no mundo. Vexado porque Portugal é uma potência no desporto e no futebol profissional; vexado pela gravidade do que aconteceu. As reações que tive de fora foram nesse sentido. São acontecimentos graves, que não podemos banalizar” – diz Marcelo Rebelo de Sousa.

E acrescenta: “Não podem haver dois ‘Portugais’, um que vive num Estado de Direito democrático e outro que vive à margem do Estado de Direito democrático. Nem no desporto nem noutra área qualquer. Há uma Constituição, há leis, há um clima de serenidade que é preciso criar. Tenho dito em outras áreas e agora perante a gravidade do que aconteceu. Temos de ter noção que é importante para o futebol e para sociedade portuguesa que se perceba que o clima criado ao longo dos tempos, que já foi até debatido no parlamento, não pode continuar, sob pena de uma escalada que vai destruir o desporto português e que vai desprestigiá-lo lá fora e cá dentro. O Presidente da República não se pode substituir ao que as instituições competentes farão no seu âmbito de actividade. Não podemos fazer de conta, temos de parar para reflectir, para as instituições actuarem. Este é momento de travar a escalada. Se não for agora, quando tiver se ser travada será por meios mais drásticos e penosos”.

Diria eu: grande sova discursiva, perante factos tão graves e que enegrecem o nosso país, por esse mundo fora.

Mas concluiria, dizendo: este caso do Sporting é uma falha complicada do sistema… todo ele.