Coimbra  17 de Novembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Rui Avelar

Autárquicas: “Somos Coimbra” ganha batalhas

3 de Novembro 2017

“Somos Coimbra” – movimento vitorioso na batalha pela sua afirmação, a 01 de Outubro – acaba de ganhar outra, a da comunicação política.

Liderado por José Manuel Silva, o movimento cívico considerou, volvido um mês sobre as eleições autárquicas, que recentes alianças para definição da composição de juntas de freguesias atestam ser ele “a única verdadeira alternativa ao PS de Manuel Machado”.

Terceira força política do concelho, “Somos Coimbra” não perdeu a oportunidade de rotular de “bloco de interesses” o entendimento alcançado pela coligação “Mais Coimbra” (PSD – CDS/PP – PPM – MPT) e pelo Partido Socialista para definição da composição da Junta de Santo António dos Olivais e da congénere da União de Freguesias de Santa Clara / Castelo Viegas.

O movimento aproveitou, de resto, o atordoamento de que padece o PSD, em fase de substituição do líder da Comissão Concelhia de Coimbra (o cessante é Paulo Leitão, vereador) e da direcção nacional.

Paulo Leitão ainda deu instruções no sentido de os autarcas social-democratas eleitos para três assembleias de freguesias privilegiarem a obtenção de entendimentos com “Somos Coimbra”, mas a recomendação apenas foi acatada pelo presidente da Junta da União de Freguesias de Coimbra, João Francisco Campos.

Membro da Assembleia Municipal, Nuno Freitas (um dos candidatos a líder concelhio do PSD/Coimbra) fez a apologia da concretização de um acordo entre a coligação de Centro-Direita e o PS para definição da composição da Junta de Santo António dos Olivais.

Em fase de “cada cabeça sua sentença”, o PSD/Coimbra acaba de perder a batalha da comunicação na disputa com o movimento liderado por José Manuel Silva.

Como preveniu António Oliveira Salazar, “em política, o que parece é”. Ora, parece que o PSD, pelo menos parcialmente, incensou (lisonjeou) “Somos Coimbra”.

Do meu ponto de vista, é provável que o PSD tenha dado importância àquilo que é conjuntural, em detrimento do «golpe de asa» no sentido de enxergar para além da «espuma dos dias». Com uma agravante – avulta a ideia de que PSD e PS se precipitaram tão-só no sentido de darem combate político a um movimento cívico.