Coimbra  13 de Dezembro de 2017 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

Autárquicas em Coimbra: Coligação de manta curta

4 de Agosto 2017

Acredito que o sistema político democrático se aperfeiçoa, em face da qualidade das oposições ao poder vigente que concorrem aos actos eleitorais. Está provado que a qualidade estimula a concorrência enquanto a falta dela promove a mediocridade.

Quando a coligação Mais Coimbra divulgou publicamente os seus candidatos às “cadeiras de sonho” da praça de 08 de Maio fiquei perplexo e desiludido. Aliás, no próprio dia tive a oportunidade de escutar a opinião de militantes das várias forças coligadas e os epítetos foram quase todos depreciativos: lista fraca, gente desconhecida forjada em gabinetes e salas de aula, os conhecidos arrastando cruzes antigas (e bem pesadas como a questão dos sintéticos), a Universidade a mandar, entre outros comentários mais ou menos picantes e satíricos.

Olhando friamente os elementos que compõem a lista apresentada mantenho a primeira ideia: a manta é curta para cama tão grande. Se tudo correr dentro da normalidade, a coligação arrisca-se a obter resultados desagradáveis ou seja, a uma derrota mais ou menos suave.

Esperava uma equipa de combate e aguerrida, feita para ganhar e não para empatar, com provas dadas no mundo social e político local, capaz de erguer a sua voz com autoridade, tendo um pé na cidade e outro nas freguesias, com ampla visão do terreno de jogo, das dinâmicas peculiares das comunidades locais e paroquiais, capaz de responder aos anseios dos «zés das iscas e dos anzóis» e não apenas a simpatias urbanas e tradicionalistas. Em suma: de corresponder aos desafios societais do presente e do futuro baseados numa política de proximidade que respeitasse o passado.

Apesar do PSD ter disparado pólvora seca quando muitos esperavam «a mãe de todas as bombas», resta ainda saber como os socialistas irão gerir o seu quintal: composição da lista, estratégia de comunicação, perfil de actuação pública até às eleições, programa etc… Por enquanto, a força socialista em exercício de poder tem vindo a usar e abusar de um modelo centralizador e fechado, com a tropa acantonada, expondo-se à luz solar apenas quando se cumpre o calendário das inaugurações e festividades. Será suficiente para o meio coimbrão de 2017?

É pois um estranho cenário aquele que se vive no xadrez político do nosso Município: Coligação de pesos-pluma, PS à sombra da bananeira, CDU em parte incerta, José Manuel Silva e seus independentes rindo-se disto tudo e CPC a renascer das cinzas.

Porém, o que realmente ficará para a História serão os resultados do dia 01/10/2017. Dos que ganham e dos que perdem. E, como se viu em 2001 (com o PS) ou em 2013 (com o PSD) é difícil adivinhar o sentido de voto do povo, saturado que anda de certas formas, mais ou menos subtis, de ser político e de fazer política.

Nota para reflexão: Para quando o fim das quotas nos partidos, discriminatórias do valor das mulheres, e da preponderância das jotas, que tanto lesam a meritocracia e adulteram o sistema político?

(*) Historiador e investigador