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Semanário no Papel - Diário Online

 

Luís Santos

Ângulo Inverso: O Presidente e os figurantes

26 de Janeiro 2018

Marcelo Rebelo de Sousa, eleito há dois anos com Presidente da República, tem sido popular, interventivo na vida política, com uma presença mediática constante, mas indo junto das pessoas, cumprindo os princípios que elencou para o seu mandato: “afectos, proximidade, simplicidade e estabilidade”.

O registo informal de proximidade com os cidadãos e a agenda intensa contrastou vivamente com o estilo mais contido e formal de Cavaco Silva. No plano da política externa já fez mais de 30 deslocações ao estrangeiro, a maior parte a países da Europa, e em território nacional, no último ano, destacam-se as suas visitas às nove ilhas da Região Autónoma dos Açores e as sucessivas vezes que esteve nos locais dos maiores incêndios, onde contactou de perto com as populações atingidas.

Em menos de dois anos, Marcelo já convocou oito vezes o Conselho de Estado, enquanto que, nos 10 anos de mandato, Cavaco Silva reuniu por 12 vezes este órgão de consulta presidencial. Ainda não recorreu ao Tribunal Constitucional, mas já utilizou seis vezes o poder de veto político, duas das quais em relação a decretos do Governo.

Apesar de ser de Centro-Direita, desdramatizou a “geringonça”, a actual solução governativa minoritária do PS suportada pelas forças à sua esquerda, com um tom de distensão e descrispação, e tem apelado a acordos de regime sectoriais, defendendo ao mesmo tempo a necessidade de um Governo e de uma oposição fortes, que sejam espaços alternativos – ideia que reiterou neste início de 2018, depois de ver Rui Rio ser eleito para a liderança do PSD, contra Pedro Santana Lopes.

O chefe de Estado classificou os fogos de Junho e de Outubro, que no seu conjunto mataram mais de 100 pessoas, como “o ponto mais doloroso” da sua presidência e prometeu nunca mais largar o assunto, tendo decidido passar o Dia de Natal nos municípios mais atingidos.

De tal forma Marcelo Rebelo de Sousa tem sido protagonista, que os outros actores políticos têm parecido “figurantes”.