Coimbra  20 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Barreiros

África do Sul: o apartheid negro

4 de Abril 2019

Africa do Sul

Chegam-me notícias, de amigos moçambicanos que vivem na África do Sul, que dão conta de desacatos, de refregas, de insultos, de cenas de pancadaria e de ataques a cidadãos de etnias diferentes desse país e, também, com frequência aos emigrantes do país vizinho, onde se fala português.

A comunicação social nada relata. Não sei bem a razão. Talvez tenha dificuldade em mostrar e em explicar a situação, tão preocupada que anda em agradar a uma esquerda que não lhe interessa tocar nestes casos delicados…

Está a viver-se, faz tempo, um verdadeiro clima de apartheid negro. É bom que se diga. Quem não é de uma certa tribo… não tem direito a viver.

A presidência de Mandela, depois do regime branco de apartheid, uniu a África do Sul. Essa figura ímpar, quer queiramos ou não, congregou o que se designou por “Nação Arco-Íris” por ser tão fragmentada com relação a tribos. Agora, assistimos a uma segregação racial dos próprios negros.

A desestabilizarão que o Chefe de Estado que sucedeu a Mandela criou, Jacob Zuma, está à vista e foi flagrante. Zuma, um zulu de nascimento e de raça, acabou por estoirar com a acção de Mandela que pacificou a África do Sul. Já não é o mesmo país e a vida tem vindo a deteriorar-se, com todo o carrossel de problemas sociais, laborais, étnicos e outros.

Não tenho qualquer pudor em classificar a presente situação que se atravessa nesse país africano, como de inqualificável, indignificante e primitivista. São negros contra negros. Pessoas da mesma cor. São humanos e não se sabem respeitar nas suas diversidades étnicas, culturais, religiosas e tradicionais.

Este apartheid está a matar a África do Sul e a fazê-la caminhar para um abismo social que pode trazer convulsões sérias e medonhas para aquele espaço desse continente, onde a ausência de paz pode criar divisões e alastrar país fora.

Existem alguns tumultos com espancamentos, com queima de autocarros e casas, além de distúrbios nas ruas que comprometem a serenidade futura de uma África do Sul que é uma imagem pálida de um passado recente.

O tribalismo será, por continuar a manifestar-se em pontos fulcrais de África, o retrocesso e o apelo à guerra.

O tribalismo será, por se chancelar no séc. XXI, a morte do desenvolvimento social, económico, laboral, pessoal e humano de África.
O tribalismo não permite a viragem…é significado de estagnação e medo.

Na minha opinião existe quem esteja interessado neste “fogo” que arde sem se dar conta…neste apartheid que é negro e vomita ódios e rancores ancestrais.

Este neo-apartheid é sinal dos tempos…e de insurrectos que se movimentam a soldo de interesses que têm tomado as Áfricas.

Sopram ventos do oriente. Estancá-los é tarefa de ontem para sanar conflitos que podem abanar o Ocidente. Parece que anda tudo a dormir.